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Filha detalha abusos de Woody Allen: "Ele estava sempre me tocando"

Filha de Woody Allen e Mia Farrow, Dylan Farrow - Reprodução
Filha de Woody Allen e Mia Farrow, Dylan Farrow Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

18/01/2018 11h01

Dylan Farrow, filha de Woody Allen e Mia Farrow, detalhou pela primeira vez os abusos sexuais que sofreu por parte do pai. Em entrevista ao programa “CBS This Morning”, também sua primeira para a TV, ela falou longamente sobre as acusações, que vieram a público pela primeira vez em 1993, e sobre as quais ela falou recentemente em uma carta aberta publicada pelo "Los Angeles Times".

A jovem contou que, quando tinha 7 anos, foi levada por Allen ao sótão da casa de campo de sua mãe, em Connecticut. "Ele me instruiu a deitar de barriga para baixo e brincar com o trem de brinquedo do meu irmão. Enquanto ele sentava atrás de mim, enquanto eu brincava com o trem, eu fui abusada sexualmente. Com 7 anos, eu diria que ele tocou as minhas partes íntimas", contou Dylan, antes de ser mais específica: “[Allen] tocou meus lábios [vaginais] e minha vulva com o dedo dele”.

Ao ver um trecho de uma antiga entrevista dada por Allen, em que ele negou ter abusado sexualmente da filha e classificou as acusações como “loucas”, Dylan chorou e pediu desculpas. “Ele está mentindo e tem mentido há tanto tempo. É difícil eu vê-lo e escutar sua voz. Desculpe”. 

Essa não teria sido a única vez em que Allen teve um comportamento inadequado com a filha. “Ele me seguia, ele estava sempre me tocando, fazendo carinho e se eu dizia que queria sair sozinha, ele não me deixava”, relembrou. Ao ouvir da apresentadora Gayle King que muitos considerariam isso atitudes de um pai amoroso, Dylan ressaltou que ele não agia da mesma forma com seu irmão Ronan Farrow.

“Ele frequentemente me pediu para ficar na cama com ele quando ele estava só de cueca, ou quando eu só estava de roupas íntimas”, acrescentou.

Dylan Farrow com sua mãe Mia Farrow no tapete vermelho da festa de gala da revista Time em 2016 - Neilson Barnard/AFP - Neilson Barnard/AFP
Dylan Farrow com sua mãe, Mia, em foto de 2016
Imagem: Neilson Barnard/AFP

"Era o meu herói"

Aos 32 anos, Dylan afirmou que ainda carrega as marcas do sofrimento que passou na época. “Eu amava o meu pai. Eu o respeitava. Ele era meu herói. E isso obviamente não atenua o que ele fez, mas faz com a traição e a mágoa sejam muito mais intensas”.

Ao ver um trecho de uma antiga entrevista dada por Allen, em que ele negou ter abusado sexualmente da filha e classificou as acusações como “loucas”, Dylan chorou e pediu desculpas. “Ele está mentindo e tem mentido há tanto tempo. É difícil para mim vê-lo e escutar sua voz. Desculpe”. 

Allen nunca foi formalmente acusado de abusar de Dylan. Um relatório do hospital Yale New Haven, à época, afirmou que o abuso não ocorreu. O promotor responsável pelo caso, Frank Maco, questionou a credibilidade do documento e disse que havia causa provável para acusar Allen, mas considerou Dylan muito frágil para passar pelo que seria um julgamento extremamente midiático.

Ao ser perguntada se preferia ter enfrentado o julgamento à época, Dylan respondeu afirmativamente: "Honestamente sim, queria que eles tivessem ido em frente, mesmo que eu esteja falando em retrospecto. Eu já estava traumatizada".

Ela ainda negou categoricamente que a mãe, Mia Farrow, a tenha instruído a fazer as acusações contra o pai. "O que não entendo é como essa história louca de eu ter sofrido lavagem cerebral e ter sido instruída é mais crível do que o que eu tenho dito sobre ter sido sexualmente abusada pelo meu pai".

À época, Farrow e Allen estavam se separando, meses após ela descobrir que o cineasta estava tendo um caso com Soon-Yi Previn, filha adotiva da atriz com o músico André Previn.

Hollywood em cheque

Dylan ainda voltou a questionar as atrizes de Hollywood por ignorarem as acusações contra Allen -- ponto que ela já havia levantado na primeira vez em que pronunciou sobre o caso, com um texto publicado no "The New York Times" em 2014

"Eu tenho repetido minhas acusações há 20 anos e tenho sido sistematicamente vetada, ignorada ou desacreditava. Se elas não conseguem reconhecer as acusações de uma sobrevivente, como elas irão se posicionar por todas nós?", questionou, referindo-se ao Time's Up, projeto de famosas como Reese Whiterspoon e Eva Longoria contra o assédio sexual e a discriminação de gênero. 

A resposta de Allen

À rede CBS, Woody Allen enviou um comunicado novamente negando as acusações. Leia abaixo:

Quando essa acusação foi feita há mais de 25 anos atrás, ela foi investigada cuidadosamente pela clínica de abuso sexual infantil do hospital Yale-New Haven e pela assistência social de Nova York. Ambos fizeram isso por meses e independentemente concluíram que não havia ocorrido nenhum abuso. Em vez disso, eles consideraram provável que uma criança vulnerável tivesse sido instruída a contar essa história por sua mãe raivosa durante uma separação turbulenta.

O irmão mais velho de Dylan, Moses, disse que ele testemunhou a mãe fazendo exatamente isso – incansavelmente treinando Dylan, tentando inculcar nela que seu pai era um predador sexual perigoso. Parece ter funcionado – e infelizmente, tenho certeza que Dylan realmente acredita no que diz.

Mas mesmo que a família Farrow esteja cinicamente usando a oportunidade criada pelo movimento Time’s Up para repetir essa acusação desacreditada, isso não a torna mais verdadeira hoje do que no passado. Eu nunca abusei da minha filha, como todas as investigações concluíram há um quarto de século.