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Giamatti está em comédia surrealista "Almas à Venda"

Divulgação
Paul Giamatti em "Almas à Venda" Imagem: Divulgação

08/07/2010 17h06

SÃO PAULO (Reuters) - Diretora estreante, a francesa Sophie Barthes pega emprestadas inspirações variadas, do escritor russo Nikolai Gogol ao diretor e roteirista norte-americano Charlie Kaufman para o criativo roteiro de seu primeiro longa, "Almas à Venda".

O filme estreia sexta em São Paulo e tem pré-estreias marcadas em Salvador e Rio de Janeiro neste fim de semana.

Mistura de comédia, drama e ficção científica, a história embarca numa premissa bem imaginativa - literalmente, o tráfico de almas. Para aqueles cansados das próprias e dos tormentos que elas causam, há uma empresa em Nova York especializada, nada mais, nada menos, do que na extração e estocagem das almas, mediante alto pagamento. Caso alguém queira mais tarde recuperar a sua, é só avisar. Na prática, como se verá, não é tão simples, ainda mais com uma linha de mercado negro via Rússia.

Ator, Paul Giamatti (usando o próprio nome para o seu personagem) está ensaiando uma nova montagem da peça "Tio Vânia", o clássico do dramaturgo russo Anton Tchecov. Mas seu trabalho não está progredindo bem e ele, mais do que ninguém, sabe disso.

Tem insônia, vive atormentado com toda série de medos e angústias, está em crise com a mulher (Emily Watson, de "Sinédoque, Nova York"), desesperado a ponto de não saber mais o que fazer. A conselho de seu agente, pesquisa um anúncio na revista "The New Yorker" e acha o contato da tal empresa que extrai e estoca almas.

Descrente a princípio, Paul procura os serviços do dr. Flintstein (David Straithairn, de "Boa Noite e Boa Sorte") para livrar-se da alma que está lhe provocando tanto sofrimento. A grande sacada do filme está em equilibrar a seriedade, quebrando-a frequentemente com os detalhes inusitados. Como a decepção de Paul ao descobrir que sua alma, pobrezinha, é pequena como um grão-de-bico. O que não contribui em nada para elevar sua auto-estima.

Outra boa ideia da história está em contrapor a empresa burocrática e ultra-organizada dos EUA com o circuito russo, envolvendo um lucrativo comércio e contrabando de almas da pátria de Tchecov. Para esse tráfico, usa-se uma "mula", Nina (Dina Korzun), que carrega as almas para o outro lado do oceano, atendendo às demandas de norte-americanos dispostos a trocar de personalidade por esse meio.

As desventuras de Paul e Nina vão futuramente cruzar-se, em mais de um sentido, permitindo ao filme tomar rumos líricos, trágicos e cômicos. Algumas de suas peripécias podem eventualmente lembrar os roteiros escritos por Charlie Kaufman - em filmes como "Quero ser John Malkovich" e "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças". Mas, antes de mais nada, a inspiração é mesmo russa. Afinal, em 1842, o autor Nikolai Gogol imaginou já, em seu livro "Almas Mortas", um rico proprietário que comprava as almas de seus servos.

Em mais de um momento, Paul Giamatti - vencedor do prêmio de melhor ator no festival de Karlovy Vary em 2009 - lembra uma vulnerabilidade semelhante à de Woody Allen em alguns de seus melhores filmes, como "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" e "Hannah e suas Irmãs". Mais uma vez, não foi um acaso. Lembre-se aqui que a primeira ideia da diretora e roteirista foi convidar Allen para o papel. Mas não o fez, por entender que ele nunca aceitaria atuar num filme de cineasta estreante.

Giamatti, em todo caso, tornou "Almas à Venda" totalmente seu, dando credibilidade a uma história difícil, que depende da total cumplicidade entre seus intérpretes e o público para fazer sua premissa fantástica funcionar. E, como acontece em diversos trabalhos deste ator dedicado, mais uma vez, a mágica acontece. "Almas à Venda" é um dos filmes mais originais da temporada.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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