Filmes e séries

Filme elogiado em Cannes reflete espírito das revoltas árabes

Por Mike Collett-White

CANNES, França (Reuters) - Um filme sobre uma mulher se levantando contra homens em um vilarejo no norte da África ganhou elogios no Festival de Cannes neste sábado, e alguns expectadores ficaram comovidos pelo fato de a produção expressar o espírito das revoltas da "Primavera Árabe" deste ano.

Algumas pessoas, no entanto, vaiaram durante a lotada exibição de "The Source", dirigido por Radu Mihaileanu, e disseram a jornalistas depois que acharam a descrição da vida árabe simplista demais.

Mas a esmagadora maioria dos críticos presentes à plateia elogiaram a pertinência do filme em relação aos eventos ocorridos na vida real, dizendo que não ficarão surpresos se "The Source" conquistar um grande prêmio no festival.

O filme foi o último de 20 produções exibidas para a disputa do principal prêmio do festival. A cerimônia de encerramento ocorrerá no domingo, quando os prêmios serão anunciados, incluindo a Palma de Ouro para o melhor filme.

"Once Upon a Time in Anatolia" também foi exibido neste sábado. Trata-se de uma sutil análise sobre crueldade e traição pelo diretor Nuri Bilge Ceylan.

"The Source" começa declarando ser uma história fictícia no qual Leila, a linda porém irritadiça mulher do professor Sami, declara uma "greve de amor", ou o fim qualquer ato sexual, até que os homens do vilarejo concordem em trazer a água de uma nascente localizada no alto de uma montanha.

Em um período de dificuldade econômica e desemprego, os homens sentam e tomam chá todos os dias, enquanto as mulheres carregam cargas pesadas por estradas íngremes.

Leila decide contrariar os homens quando uma amiga dela cai e perde um bebê. Ambos os gêneros entram em conflito, com consequências violentas. As mulheres contestam o valor da tradição sobre a mudança de costumes, enquanto clérigos conservadores tentam explorar as divisões no vilarejo.

Mihaileanu, um diretor francês nascido na Romênia, disse em entrevista coletiva que o filme era, em parte, reflexo das recentes revoltas na Tunísia e em todo o mundo árabe.

"Há uma grande esperança desde dezembro. Há esperança de liberdade, um forte desejo de se libertar daqueles que estão no poder e há a ideia de as pessoas decidirem seu próprio destino", afirmou.

Ele acrescentou que a revolução nas ruas de Egito, Tunísia Síria e Bahrein ainda precisa ser igualada pela mudança de costumes nos lares.

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