Filmes e séries

"Chantal Akerman, de Cá" investiga obra de cineasta

09/06/2011 15h23

"Cinema é cinema é cinema é cinema. Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa." Essa é a resposta que a cineasta belga Chantal Akerman dá quando perguntada sobre sua arte no documentário "Chantal Akerman, de Cá", que estreia no Brasil na sexta-feira.

À primeira vista parece evasiva, mas quem conhece seus filmes, como "Jeanne Dielman" (1975), sabe que não é tão simples assim explicar sobre o que são, ou racionalizar como são feitos.

O cinema de Chantal - que teve uma grande retrospectiva no Brasil em 2009 - desafia explicações e é, em alguns momentos, um cinema de sentido, daquele que se mergulha no filme, e se esquece o lado de fora, vive-se outra vida dentro da tela.

Por isso, é bem acertada a escolha dos diretores Gustavo Beck e Leonardo Luiz Ferreira em deixar o fluxo do discurso dominar o documentário. Sem se preocupar em desvendar a cineasta, ou algo parecido, o filme deixa que Chatal fale, e ela tem muito a dizer.

O filme consiste numa entrevista de cerca de uma hora, com a câmera parada a uma boa distância de Chantal, sem cortes ou movimentos.

TRAILER DO FILME ''CHANTAL AKERMAN, DE CÁ'

E durante esse período, Ferreira a entrevista, disseca seu cinema, suas influências, seus gostos. Pode parecer estranho, mas há um propósito nisso: não apenas entrevistar a cineasta, mas fazer um filme ao estilo dela. Se nos primeiros minutos há um grande estranhamento, depois resta o fascínio pela figura e pelas respostas da diretora.

Para quem gosta e conhece o cinema de Chantal, é um mergulho profundo em sua obra, falando de filmes como "La Captive" (2000), inspirado em "A Fugitiva", de Proust, o próprio "Jeanne Dielman", e o curioso "Hotel Monterey" (1972).

Há uma dissecação esmiuçada, e é exatamente isso que Ferreira e Beck fazem, dotados de uma curiosidade sadia daqueles que estão diante de alguém cujo trabalho admiram e têm a chance de fazer quaisquer perguntas.

Chantal em si, mesmo vista à distância, é uma figura interessante. Articulada, culta e inteligente - isso já se percebe por seus filmes - a cineasta fala de forma clara, sem elaborar teorias mirabolantes ou explicações exibicionistas. Ela vai à essência de seu cinema, comentando aspectos narrativos, técnicos e até emocionais.

A simplicidade aparente de "Chantal Akerman, de Cá" esconde a complexidade desse documentário que seduz pela fala e pela figura que tem ao seu centro. É um filme ousado, e que tem muito a acrescentar aos admiradores do cinema da diretora belga.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
AFP
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Cinema
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
EFE
do UOL
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Entretenimento
do UOL
Topo