Filmes e séries

"Terapia de Risco" aborda relação entre conforto emocional e o capital

Alysson Oliveira

Do Cineweb*

16/05/2013 13h25

Como em "Confissões de uma Garota de Programa", em "Terapia de Risco", o diretor Steven Soderbergh arma um jogo duplo. Aquele filme, protagonizado por uma atriz pornô, não era sobre as dores e alegrias de uma prostituta de luxo, mas sobre relacionamentos, que não envolvem necessariamente sexo, mas que são pautados como mercadoria.

Neste novo suspense, "Terapia de Risco", o cineasta parece estar falando dos perigos do vício em remédios. O filme até é sobre isso, mas só na superfície.

Novamente, Soderbergh fala do capitalismo, da transformação da felicidade em mercadoria, em lucro, ao depender de ser proporcionada por antidepressivos. Não à toa a fotografia (assinada pelo próprio diretor, escondendo-se atrás de um pseudônimo) evoca o clima, as cores e texturas dos comerciais desse tipo de droga.

VEJA TRAILER LEGENDADO DE "TERAPIA DE RISCO"

Na primeira metade de "Terapia de Risco", diversos personagens, não apenas a protagonista, Emily (Rooney Mara), encontram conforto em comprimidos. Mas a trama, assinada por Scott Z. Burns ("Contágio"), promete algumas reviravoltas e deixa claro que há algo de mais doentio na sociedade norte-americana do que apenas a depressão de um povo passando por uma séria crise econômica.

Vemos Emily levando uma vida aparentemente normal e equilibrada até que seu marido, Martin (Channing Tatum), saia da prisão, onde cumpria pena por fraude financeira. Nesse momento, apesar da euforia de recebê-lo de volta, a garota cai em depressão. Depois de jogar o carro contra a parede de um estacionamento, ela volta à terapia e é tratada pelo dr. Jonathan (Jude Law).

ANÁLISE

  • Divulgação

    Steven Soderbergh retrata mundo dos remédios prescritos em seu novo filme com Tatum (foto)

Sabiamente, o diretor se dá ao trabalho de construir personagens. Vemos que o médico também está com alguma dificuldade financeira, sua mulher (Vinessa Shaw) está desempregada e quase deprimida. Para evitar que ela caia numa crise mais grave, ele providencia algumas pílulas de tempos em tempos.

Mas, uma vez que Emily não responde ao tratamento, o médico resolve mudar a medicação. Convenientemente, ele receita um remédio produzido por um laboratório que está pagando para ele testar o novo remédio em seus pacientes. Depois disso, a garota passa a ter uma energia de vida que não experimentava há tempos. Mas também sofre sérios efeitos colaterais, como paranoia e sonambulismo.

Essa primeira parte é narrada com riqueza de detalhes do metiê médico e farmacológico. E o filme se mostra tão rico em suas possibilidades que, realmente, é surpreendente quando toma outros caminhos a partir dos sintomas desenvolvidos por Emily.

Como em "Os Homens que não Amavam as Mulheres", Rooney Mara mostra que é uma das melhores atrizes da sua geração, por ser capaz de transformar-se de uma cena para outra. Olhando em retrospecto, quando finalmente sua personagem deixa cair a máscara, percebe-se o quanto tudo faz sentido.

  • Divulgação

    Jude Law (foto) é uma das estrelas do elenco que ainda conta com Catherine Zeta-Jones

A partir do momento em que Emily, num surto de sonambulismo, comete um assassinato, "Terapia de Risco" ganha outro ritmo, outro enfoque e outra personagem começa a se destacar, a dra. Victoria (Catherine Zeta-Jones), antiga terapeuta da protagonista.

Nesse momento, o longa parece se transformar num drama de tribunal, com o julgamento de Emily, procedimentos investigativos e negociações. Novamente, trata-se de uma mera desculpa para Soderbergh mostrar o que realmente lhe interessa: a cobiça. E o personagem de Jude Law se transforma num herói, ainda que tenha falhas.

Soderbergh anunciou que este será seu último filme para o cinema. Seu mais recente trabalho, "Behind the Candelabra", faz parte da seleção do Festival de Cannes, e depois será exibido na TV a cabo.

Em sua obra -- especialmente dos últimos anos, que inclui a série iniciada com "11 Homens e 1 Segredo", "Magic Mike" --, o diretor tem investigado os efeitos do capitalismo sobre a vida das pessoas comuns, evidenciando suas contradições.

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Cinema
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
EFE
do UOL
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Entretenimento
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
EFE
do UOL
UOL Entretenimento
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
UOL Entretenimento
Topo