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Documentário "Walachai" descreve comunidade peculiar do sul do Brasil

Rodrigo Zavala

Do Cineweb*

23/05/2013 15h42

O documentário "Walachai" é, antes de tudo, uma experiência emocional, saudosista e pessoal da cineasta gaúcha Rejane Zilles. Nascida na comunidade alemã que dá nome ao filme, que também produziu e roteirizou, ela narra em primeira pessoa o cotidiano dos moradores de uma comunidade que surpreende pela curiosidade que pode despertar.

De fato, há sempre uma condicionante paradoxal para os habitantes de colônias de imigrantes que se multiplicaram e prosperaram no Brasil no início do século 20, em especial no sul do país. Sejam italianas, holandesas ou alemãs, como é o caso desta produção, com o passar das décadas, seus moradores passam a viver numa espécie de limbo: se sentem pertencentes a um país que os vê como estrangeiros.

Em Walachai, localizada a pouco mais de 100 Km de Porto Alegre (RS), a história não é diferente. Por mais que se digam brasileiros, essa condição existe, aparentemente, apenas no papel. Com costumes e idioma distantes das populações vizinhas (falam um dialeto indecifrável para brasileiros e alemães), formam um grupo coeso e impenetrável.

TRAILER DO DOCUMENTÁRIO BRASILEIRO "WALACHAI"

UOL Cinema

Ao entrevistar as famílias moradoras da colônia centenária, Rejane reaviva memórias, que hoje poderiam ser consideradas anedóticas. Como no início da década de 1940, quando o governo Getúlio Vargas proibiu que se falasse alemão por causa da Segunda Guerra Mundial. Como não sabiam falar português, passavam grande parte do tempo mudos.

Outra curiosidade é o convívio cada vez maior das novas gerações com a cultura "mais" brasileira. Como é difícil manter toda a família com base na agricultura familiar, os jovens passaram a trabalhar nas cidades próximas, sobretudo nas fábricas de calçados. Um pé para fora que dificilmente não é seguido pelo outro.

Projetado ao público pela primeira vez na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2009, Walachai é um documentário sobre descendência, senso comunitário, paradoxos e regresso. Como personagem e ex-moradora local, Rejane traz ao espectador uma dimensão emocional para o que se vê na tela, o distanciamento de um universo que deixou aos nove anos de idade.

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb