ESTREIA-"Invocação do Mal" dá bons sustos e tem tudo para virar franquia

SÃO PAULO, 12 Set (Reuters) - Desde os anos de 1950, o casal Lorraine e Ed Warren percorreu os EUA investigando os mais assombrosos casos paranormais. Autodenominados médium e demonólogo, respectivamente, fundaram um centro de pesquisa, escreveram uma série de livros professando suas crenças e ainda instalaram um museu de artefatos amaldiçoados no quintal de sua casa, em Monroe, Connecticut.

Ridicularizados por alguns, idolatrados por um número mais numeroso, ambos dedicaram suas vidas à difícil tarefa de provar que, sim, o oculto está ao seu redor e talvez escolha você. Ed morreu em meados de 2006, mas Lorraine está ainda forte, desvendando mistérios, e pode ser vista em participações especiais em programas de caça-fantasmas que povoam a TV a cabo (como o "Paranormal State", A&E).

Durante sua longa carreira, os dois alegam ter resolvido mais de 10 mil casos (muitos deles, diga-se, os próprios provaram serem fraudes), incluindo aí a delirante história de Amytiville, que mais tarde (1979) viraria uma franquia para o cinema, com refilmagem em 2005. "Invocação do Mal", agora, é o primeiro roteiro a sair da recém-aberta caixa preta dos Warren.

Interpretados com muita competência por Vera Farmiga (Lorraine) e Patrick Wilson (Ed), o casal é chamado para ajudar Carolyn e Roger Perron (os também, aqui, excepcionais atores Lili Taylor e Ron Livingston) e suas quatro filhas. A família começou a passar por apuros inexplicáveis ao se mudar para um casarão do século 19, em Rhode Island.

Além do mau cheiro que parece passear pela casa, uma das filhas conversa com um garoto que ninguém vê, outra vaga aparentemente sonâmbula pela madrugada, uma terceira se desespera com um vulto que ninguém nota e marcas aparecem no corpo de Carolyn. Tudo isso somado aos ruídos e batidas apavorantes que todos escutam, mas ninguém identifica a origem.

James Wan, o diretor por trás também do primeiro (e melhor) "Jogos Mortais" e "Sobrenatural", compõe um filme tenso com todos esses elementos. Com experiência no gênero, sabe onde colocar a câmera para extrair mais suspense de cada cena. Com o material que tem na mão, constrói com muita precisão a atmosfera que envolve a realidade fantástica dos Warrens e Perrons.

O roteiro dos irmãos Chad e Carey Hayes (de "Colheita do Mal"), no entanto, é uma meia verdade. Sabe-se que Ed e Lorraine foram expulsos da casa antes do desfecho idealizado pela dupla. Este final, aliás, quebra também o efeito do filme por explicar e mostrar demais. Um problema comum no gênero de terror, já que às vezes é melhor deixar a imaginação do espectador correr do que ver alguém mascarado aparecendo na tela.

Com um custo de 20 milhões de dólares e arrecadação superior a 130 milhões, só nos Estados Unidos, a produção é considerada um sucesso e já vai virar franquia (com uma sequência já anunciada). Afinal, o que não falta para Lorraine é história para contar nessas seis décadas de casos. Incluindo o de Annabelle, a boneca demoníaca que tem participação especial (e inesquecível) nesta produção.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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