Filmes e séries

Cineastas canadenses recebem convites de Hollywood, mas preferem recusar

Mark Davis/Getty Images
12.set.2013 - Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal posam para foto com o diretor canadense Denis Villeneuve na première de "Prisoners" em Beverly Hills Imagem: Mark Davis/Getty Images

Por Julie Gordon

Pergunte à nova onda de diretores canadenses por que eles estão recebendo telefonemas de Hollywood e a resposta será simples: a florescente indústria de cinema canadense lhes permitiu a liberdade de contar histórias que querem contar e do jeito que desejam.

Em uma Hollywood erguida em torno do sucesso comercial - com frequência, à custa da originalidade - os cineastas canadenses estão agora levando suas vozes às grandes produções. Até o momento, o resultado tem sido bom.

O burburinho da temporada de premiações já está tomando corpo em torno de dois projetos apoiados por Hollywood: "Prisoners", de Denis Villeneuve, e "Dallas Buyers Club", de Jean-Marc Vallée, que tiveram sua pré-estreia no 38o. Festival Internacional de Cinema de Toronto, ambos com fortes críticas favoráveis.

"Acho que estamos no começo de algo realmente grande", disse Michael Dowse, que dirigiu "The F Word" e foi um dos roteiristas de "The Grand Seduction", que também tiveram sua primeira exibição no festival. "Acho que é um sinal de que nosso sistema nutre diretores e os deixa contar histórias que não precisam necessariamente se tornar um completo sucesso comercial."

Assim, enquanto gerações anteriores de cineastas canadenses, como Norman Jewison e Paul Haggis, fizeram as malas e se mudaram para o sul em busca de seus sonhos, a vigorosa indústria do Canadá tem diretores locais que agora preferem ficar por lá.

Vallée, que estourou com a produção franco-canadense "C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor", de 2005, fez depois filmes nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e em sua terra natal, o Quebec, o qual ele não tem planos de deixar.

Enquanto isso, Villeneuve, apresenta ao festival seu primeiro trabalho em Hollywood, o intenso thriller "Prisoners", ao mesmo tempo que mostra sua voz claramente canadense em "Enemy", um drama no gênero do fantástico, sobre um ser duplicado.

Essa habilidade de focar em uma audiência variada é o forte da atual geração de diretores canadenses, disse o diretor artístico do festival, Cameron Bailey.

"Acho que os cineastas são bastante talentosos e bastante habilidosos. Eles poderão trabalhar onde quer que escolham", afirmou.

"Esses grandes diretores, que começaram a carreira no Canadá, não estão apenas se mudando para o outro lado da fronteira, no sul, mas estão trabalhando dos dois lados, indo e voltando", disse Bailey. "Acho que esse será o futuro do cinema canadense."

Na realidade, os filmes canadenses nunca foram tão fortes, e uma saudável injeção de grandes astros de Hollywood está ajudando a ampliar seu apelo, especialmente no gênero da comédia.

(Reportagem adicional de Mary Milliken em Toronto)

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