Filmes e séries

"Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" faz crônica sobre amadurecimento juvenil

Alysson Oliveira

Do Cineweb

09/04/2014 16h28

Leo (Guilherme Lobo) é um adolescente, e, como tal, está descobrindo o mundo e a si mesmo. O fato de ser cego poderia ser uma complicação, mas com isso ele já está acostumado, lidando bastante bem com suas limitações.

Sua melhor amiga é Giovana (Tess Amorim), com quem convive há anos e o ajuda em qualquer dificuldade. Mas a chegada de um novo garoto na escola, Gabriel (Fabio Audi), muda tudo na vida dos dois - especialmente os sentimentos.

"Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", que estreia nesta quinta-feira (10), faz uma crônica da dinâmica entre esses três jovens em busca de seu lugar no mundo e a compreensão de seus sentimentos. Escrito e dirigido por Daniel Ribeiro, o longa parte de seu curta "Eu Não Quero Voltar Sozinho" (que está disponível na Internet), premiado em diversos festivais, entre eles Paulínia, Mix Brasil e Aruanda.

Já o longa estreou no Festival de Berlim, em fevereiro passado, de onde saiu com o Fipresci (Prêmio da Crítica Internacional) e o Teddy Bear (que premia filmes com temática ou personagens GLBT).

O roteiro traça uma observação profunda e delicada do processo de amadurecimento desses jovens, acompanhando-os em suas dores e alegrias de ser o que são. As vidas de Leo e Giovana mudam com a chegada de Gabriel, abalando suas certezas e expectativas.

No fundo, esse é um filme de encontro, em que cada um dos jovens se encontram consigo mesmos para só então poderem cogitar se entregar a outras pessoas.

Ribeiro tem um olhar perspicaz - especialmente dentro do ambiente escolar, onde constrói personagens extremamente críveis, gente de carne e osso e não meras marionetes com função narrativa dentro do filme.

Na casa de Leo, há a mãe (Laura Romano), que alguns rapidamente chamariam de superprotetora, o pai (Eucir de Souza), que tenta respeitar a individualidade do filho, e também a avó (Selma Egrei), a confidente de Leo. Esses personagens só contribuem à gama de verdade que está impressa no filme.

Há um amadurecimento do curta para o longa - não apenas na expansão da narrativa e dos temas, como personagens e até mesmo a direção. Ribeiro tem segurança na condução das cenas e caminha confortável no limite entre o emotivo e o piegas, sem nunca pender para o segundo. Mas quem mais amadurece é o trio de atores centrais - não apenas estão maiores fisicamente, como mais conhecedores de seus personagens.

"Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" é um caso raro no cinema brasileiro - seja por sua temática ou sua abordagem intimista. A descoberta da sexualidade e de si mesmo na adolescência é algo tão complexo como fácil de cair nos clichês.

Entretanto, o diretor evita as armadilhas, deixando que os personagens mostrem suas histórias, em vez de que elas sejam contadas. Assim, faz um filme complexo em sua essência e simples em sua forma - uma equação que poucos diretores conseguem resolver de forma tão eficiente.

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
do UOL
Reuters
do UOL
AFP
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
do UOL
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
AFP
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Cinema
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
do UOL
do UOL
do UOL
Topo