Filmes e séries

"Eu sempre quis ser uma atriz francesa. Não britânica", diz Helen Mirren

Ben A. Pruchnie/Getty
17.nov.2013 - Helen Mirren participa de evento em Londres Imagem: Ben A. Pruchnie/Getty

Eric Kelsey

Da Reuters

06/08/2014 13h46

Helen Mirren, a atriz britânica vencedora do Oscar que já interpretou rainhas, aristocratas e uma modelo de meia-idade que posa para um calendário, finalmente conseguiu o papel que seu coração há muito desejava: o de uma mulher francesa. 

No filme romântico da Walt Disney "A 100 Passos de um Sonho", que estreia neste mês, Mirren assume o semblante sisudo de Madame Mallory, a proprietária de um restaurante com estrelas do guia Michelin no sul da França, que entra em conflito com uma família indiana que passa a administrar um restaurante do outro lado da rua. 

O filme também é estrelado pelo ator indiano-inglês Om Puri e o indiano-americano Manish Dayal. Steven Spielberg e Oprah Winfrey estão entre os produtores.

Aos 69 anos, Mirren falou à reportagem sobre a personagem francesa, como ela escolhe seus papéis e sobre como é mais fácil encarar a críticas aos filmes do que às peças de teatro.

O que a atraiu neste filme?

Havia um monte de atrativos. O primeiro telefonema foi de Steven Spielberg. É aquele momento clássico, (sussurra): "Steven Spielberg! Oh, yes!". E então, muito rapidamente, vieram todos os tipos de benefícios: ele seria filmado na França; eu poderia interpretar uma francesa --eu sempre quis interpretar uma francesa. É uma história maravilhosa, leve e cômica, mas uma história séria. 

O que é tão intrigante sobre interpretar uma francesa? 

Eu falo francês muito bem. Eu amo a França. Eu já trabalhei na França, no teatro, e eu sempre quis ser uma atriz francesa. Não uma atriz britânica ou norte-americana, eu queria ser francesa ou uma atriz italiana. Não dá, então isso é o mais próximo que eu poderia chegar. Eu gosto da maneira que os franceses encaram as mulheres e eu gosto da maneira como as mulheres são abordadas em filmes franceses. Parece haver uma sofisticação, um requinte e uma realidade e uma complexidade sobre personagens femininas em filmes franceses que você não costuma encontrar em filmes de língua inglesa. 

Qual a complexidade da sua personagem? 

Só o fato de ela administrar um restaurante mostra que ela é uma mulher de substância, ela é uma mulher muito teimosa, mas é fundamentalmente decente, mas com uma mentalidade bem francesa sobre a maneira correta de fazer as coisas. Os franceses podem ser muito rigorosos sobre o que significa ser francês. Mas quando no filme isso se traduz em nacionalismo ou racismo, ela entende o problema nisso. 

Como você escolhe os seus papéis?

Depende do que eu tenha acabado de fazer e, geralmente, o que eu escolho a seguir é uma reação contra o que eu acabei de fazer, para tentar encontrar algo um pouco diferente. Onde é, como é o papel e com quem eu vou trabalhar.

Você tem preferência por trabalhos em filmes ou no palco? 

Eu prefiro filmar hoje em dia, porque o teatro é desgastante e te consome. Você não pode ir a lugar algum ou fazer qualquer coisa, e parece que não tem fim... A cada dois ou três anos, me organizo para fazer teatro de novo, porque é muito assustador se você deixá-lo por muito tempo, você acaba perdendo o controle dos nervos. 

Por que teatro a deixa nervosa? 

A coisa boa é que, se um filme recebe críticas terríveis, você diz: "Bem, não é minha culpa." No teatro, você tem de se levantar e ir lá fazer, sejam críticas positivas ou negativas. Isso é psicologicamente difícil. Eu amo filme. Eu amo o fato de que você realmente não tem ideia se ele está funcionando ou não. 

Existem diferenças entre fazer filmes norte-americanos e britânicos?

Na verdade não. O figurinista é o mesmo na França, Itália, Alemanha, Austrália. O diretor de fotografia é o mesmo cara. O cineasta sempre usa uma jaqueta de couro, seja homem ou mulher, sempre. Eles são os mesmos personagens. É engraçado. E os jornalistas são sempre como você.

Assista ao trailer de "A 100 Passos de um Sonho":

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