Cinema

Terror com Eric Bana, "Livrai-nos do Mal" se perde ao adaptar história real

Rodrigo Zavala Do Cineweb, em São Paulo*

A história do sargento Ralph Sarchie requer dos ouvintes convicção religiosa. Depois de testemunhar casos assombrosos durante seu trabalho na polícia de Nova York, em 1992, ele resolveu que investigaria paralelamente fenômenos paranormais.

Autointitulado demonólogo, descreveu uma década de possessões e exorcismos que viu e ouviu no livro "Beware the Night" (2001), escrito em parceria com a jornalista Lisa Collier Cool.

Os relatos perturbadores na obra de Sarchie inspiraram o diretor e roteirista Scott Derrickson (de "O Exorcismo de Emily Rose") a realizar "Livrai-nos do Mal", que estreia nesta quinta (18). Algo muito similar ao que aconteceu com os mistérios desvendados pelo casal Lorraine e Ed Warren, que basearam o roteiro de "Invocação do Mal" (de James Wan, 2013). A diferença, aqui, é o resultado.

Derrickson traz às telas Sarchie (Eric Bana) como protagonista e trabalha na construção de sua identidade de demonólogo. Policial com faro para problemas, ou o que seu parceiro Butler (Joel McHale) chama de "radar", Sarchie assume um enigmático caso sobre três veteranos da guerra do Iraque e estranhas pinturas na parede.

Aparentemente, o trio de azarados caiu em uma espécie de catacumba enquanto estava no Exército e, quando voltaram para os Estados Unidos, começaram a apresentar um comportamento bizarro. A mulher de um deles, Jane (Olivia Horton), tentou até matar o filho, visivelmente perturbada.

Trailer Legendado de "Livrai-nos do Mal"

Sarchie, que não acredita no sobrenatural, passa a duvidar de suas convicções ao presenciar os estranhos fenômenos que ocorrem ao redor dos envolvidos. É instigado pelo padre jesuíta Mendoza (o ótimo Édgar Ramírez), que define o caso como possessão demoníaca. O policial, assim, precisará enfrentar o mal e, acima de tudo, sua falta de fé.

Apesar da atmosfera sombria e boas cenas de tensão, o que era de se esperar de Derrickson, a adaptação se perde em uma narrativa arrastada.

O próprio desenvolvimento dos personagens fica comprometido, em especial o de Sarchie, que parece perdido frente aos acontecimentos, e Butler, subaproveitado como alívio cômico e francamente dispensável aqui.

Os excessos da trilha sonora também causam estranheza: em vez de enfatizar a situação, saturam quem assiste com pontuações sem relevância.

Os desacertos da produção, que se refletiram na baixa bilheteria (9 milhões de dólares na semana de abertura nos EUA), jogam dúvidas sobre a viabilidade de "Livrai-nos do Mal" se tornar uma franquia.

Material há com as histórias de "Beware the Night", entre outras mais que podem ser divididas por Sarchie, com as quais o ator Eric Bana assumiu ter ficado horrorizado. E basta ver alguns vídeos que o policial-demonólogo publicou na internet para entender por quê.

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