Cinema

Terror mediano reinventa história supostamente real de boneca em "Annabelle"

Rodrigo Zavala Do Cineweb, em São Paulo

Apesar de sua pequena participação, a boneca Annabelle foi um dos grandes destaques do aterrorizante "Invocação do Mal" (2013). Usada para apresentar a expertise de demonologia e vidência da dupla protagonista Ed e Lorrain Warren, o brinquedo ganha agora filme próprio, com foco em sua gênese demoníaca.

A história, alegadamente, tem um pé no real. É uma das mais conhecidas investigações paranormais realizadas pelo casal Warren (que de fato existiu), que desde a década de 1950 alega ter resolvido mais de 10.000 casos. Ed morreu em 2006, mas deixou de herança à mulher um museu de artefatos amaldiçoados no quintal de sua casa, em Monroe, Connecticut, onde se encontra a boneca verdadeira.

Entende-se que as vivências dos Warrens são a fonte dos roteiros para esta franquia, que já tem anunciada também uma sequência para "Invocação do Mal". Fica mais claro ainda, no entanto, o quanto são grandes as liberdades tomadas pelos roteiristas nestas versões para o cinema.

Esse é o caso de "Annabelle", que estreia nesta quinta (9). A trama escrita por Gary Dauberman (que fez um par de filmes ruins do gênero para a TV norte-americana) simplesmente inventa como a boneca se torna um fantoche de um espírito demoníaco, que barbariza a vida de duas enfermeiras no filme de 2013. Na produção, que tem início um ano antes do que já se viu nas telas anteriormente, os distúrbios começam com o casal Mia (Annabelle Wallis) e John (Ward Horton).

Prestes a terem um filho, os recém-casados têm sua casa invadida por uma dupla de adoradores do demônio, entre eles Annabelle Higgins (atriz não creditada), que pouco antes havia assassinado os próprios pais. Entre a luta e a chegada da polícia, a criminosa tem tempo de preparar um ritual macabro antes de cometer suicídio no quarto do bebê. Ao lado do corpo, vê-se a boneca ensanguentada.

Nos dias após os acontecimentos traumáticos, Mia e John passam a ser vítimas de fenômenos assustadores inexplicáveis. Mesmo depois de uma providencial mudança de endereço, o casal continua refém de ataques paranormais. Não demorará muito para Mia ter de enfrentar um demônio por trás da boneca e sua sede por almas.

Embora o início seja lento —mais parece uma novela—, o filme tem qualidades que o fazem funcionar. O diretor John R. Leonetti (do vexatório "Mortal Kombat - A Aniquilação") segue as premissas do produtor James Wan, o responsável (na criação e direção) por esta e outras franquias de muito sucesso, como "Jogos Mortais" e "Sobrenatural". Leonetti, aliás, foi até agora o fiel diretor de fotografia das investidas de Wan.

Sob as regras do cineasta de origem malaia, Leonetti consegue compor uma atmosfera bastante tensa, com muito suspense, em ótimas cenas envolvendo o tal demônio. Porém, o desfecho surpreendentemente preguiçoso, que mostra como a boneca, enfim, vai parar com as enfermeiras, também decepciona.

Quando "Annabelle" estreou nos Estados Unidos com relativo sucesso, arrecadando US$ 37,2 milhões em bilheteria no primeiro fim de semana (menos do que "Invocação do Mal", que fez quase US$ 42 milhões), muitos fãs da franquia reclamaram que a boneca fica em segundo plano em seu próprio filme. Mas como os Warrens já disseram (no filme e na vida real), espíritos não possuem objetos, mas sim pessoas.

Trailer legendado do filme "Annabelle"

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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