PUBLICIDADE
Topo

"O Hobbit" encerra trilogia com acúmulo de batalhas e efeitos visuais

Neusa Barbosa

Do Cineweb, em São Paulo

10/12/2014 17h27

Assim como a saga "O Senhor dos Anéis", a trilogia cinematográfica baseada em "O Hobbit" acaba em muita, muita guerra, o que fica muito claro já desde o título escolhido para o capítulo final, "O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos", que estreia nesta quinta (11).

De fato, são tantos combates que um espectador mais distraído poderia mesmo se indagar em algum momento afinal, por que é mesmo que eles estão lutando?

Isso nunca acontecerá, no entanto, aos milhões de fãs apaixonados e atentos das obras de J.R.R. Tolkien, cujas adaptações, dirigidas pelo cineasta Peter Jackson, faturaram mais de 4 bilhões de dólares mundialmente e podem render-lhe uma possível crise existencial e profissional afinal, o que Jackson, que jogou uma boa parte de sua vida nas duas sagas por tantos anos, desde o primeiro "O Senhor dos Anéis" (2001), vai fazer a partir de agora?

Nesta aventura, o que está em jogo é a conquista da montanha de Erebor. A Companhia de Anões, liderada por Thorin Escudo-de-Carvalho (Richard Armitage) consegue recuperá-la a duras penas. Quem paga um alto preço por ter apoiado os anões são os homens da vizinha Cidade do Lago, que sofrem um incendiário ataque do dragão Smaug logo devidamente despachado por uma providencial flecha do arqueiro Bard (Luke Evans).

Dragão morto, a destruição da cidade foi total. Bard e os demais habitantes rumam a Erebor, em busca de refúgio e também de um naco do grande tesouro ali guardado uma promessa de Thorin que ele, contaminado pela "doença do dragão", ou seja, uma febre pelo ouro acumulado, vai se recusar a cumprir, para desgosto de seus comandados, entre eles o hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman).

Bilbo, como sempre, é o especialista em achar objetos importantes. Antes, foi o anel da invisibilidade, agora, a preciosa pedra Arken, cujo sumiço está tirando o sono do obcecado Thorin.

Ninguém ali vai ter muito tempo para pensar, porque estão chegando à beira da montanha não só os homens de Bard e os elfos de Thranduil (Lee Pace), em busca da sua parte do tesouro, como também outros anões, o povo de Dain (Billy Connolly), primo de Thorin que veio em seu socorro; e orcs de todos os tipos e tamanhos, enviados pelo maligno Sauron.

Diante do ataque dos orcs, os demais exércitos se unem contra eles numa aliança estratégica. Mas o reino animal também se revolta, a favor de um lado e de outro, como os morcegos, pelos orcs, águias gigantes, pelos demais.

Com uma guerra dessas proporções e tantas espécies envolvidas, o time dos efeitos especiais e visuais tem trabalho de sobra, ainda mais numa filmagem em 3D. O filme circula em versões 3D e IMAX, mas também nas convencionais 2D.

Esticando bastante um livro só, com cerca de 300 páginas, a trilogia encerrada por "O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos" se permitiu uma ou outra licença poética fora da escrita, caso do romance entre a elfa Tauriel (Evangeline Lily) e um dos anões, Kili (Aidan Turner) a quem Legolas (Orlando Bloom) nem pensa deixar o campo livre, para desgosto de seu pai, Thranduil.

Para quem se cansa de tanta guerra, também cairia bem haver uma participação maior dos magos, especialmente Gandalf (Ian McKellen) que participa de uma das melhores sequências do filme, em que é libertado do castelo de Sauron pela união dos poderes de uma trinca de personagens queridos das duas sagas, Galadriel (Cate Blanchett), Elrond (Hugo Weaving) e o mago Saruman (Christopher Lee, arrasando do alto dos seus 92 anos).

No setor dos duelos, o mais emocionante é mesmo o que opõe Thorin e o orc Azog sobre um lago congelado.

Em que pese, no entanto, esse esperado brilho visual, sempre sobra uma certa frustração que os vilões da história sejam todos tão unilaterais e criações digitais—, prejudicando um maior volume e densidade dramáticos.

Enfim, este é programa para os fãs da saga, que são muitíssimos, e não vão reclamar disso. E ainda vão ficar torcendo para Peter Jackson conseguir um dia filmar "O Silmarillion", outra obra de Tolkien cujos direitos seus herdeiros vêm recusando vender para o cinema.

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb