Filmes e séries

Casal tenta superar distâncias física e cultural em "Ponte Aérea"

Nayara Reynaud

Do Cineweb, em São Paulo

25/03/2015 16h29

Quatrocentos quilômetros separam as duas maiores cidades do país, distância que pode ser percorrida de carro em quase seis horas, ou de avião em 35 minutos na Ponte Aérea Rio-São Paulo, a terceira mais movimentada do mundo. A princípio, tentar superar este intervalo, não só espacial, é o principal objetivo do casal de protagonistas do romance "Ponte Aérea" (2015), que estreia nesta quinta (26).

Dirigido por Júlia Rezende, o longa começa justamente com um voo do Rio de Janeiro para São Paulo, em que, por questões meteorológicas, o avião é obrigado a pousar em Confins, Minas Gerais. Os passageiros são obrigados a se hospedar no hotel do aeroporto durante a noite, até seguirem para o seu destino. É assim que a paulistana Amanda (Letícia Colin) e o carioca Bruno (Caio Blat) se conhecem e logo transam. Na realidade, conhecer mesmo um ao outro, os dois só o fazem chegando à capital paulista, quando o rapaz procura a garota na agência em que ela trabalha.

Desse modo, junto com eles, o público também é apresentado melhor ao casal. Amanda é uma publicitária workaholic e super-ligada às redes sociais, cuja rotina se torna mais frenética com a promoção que acaba de receber, já que ela sente a necessidade de provar sua competência para o novo cargo. Bruno é o cara tranquilão, que arranja uma grana alugando um quarto da casa que divide com o amigo (Silvio Guindane) e tem na sua arte ele mistura grafite com artes plásticasapenas um hobby.

Assim, ele é confrontado com uma nova realidade quando, ao visitar seu pai internado em São Paulo, conhece o seu meio-irmão mais novo Edu (Nicolas Cruz). Como se vê claramente, cada um é uma metáfora de sua cidade natal.

O início do relacionamento dos dois parece narrativamente fraco, mas, de certo modo, reflete a rapidez e superficialidade das relações contemporâneas os pensamentos do filósofo polonês Zigmunt Bauman serviram de inspiração, segundo a cineasta. No entanto, somente quando eles passam a se envolver de fato, a trama se desenvolve e torna-se mais atraente ao público.

O roteiro escrito pela diretora, com L.G. Bayão e Rafael Pitanguy, parece progredir mais neste sentido no momento em que o conflito da distância física se dissolve e aumenta a tensão da diferença dos modos e objetivos de vida de cada uma das partes do casal, em uma atuação correta da dupla Colin e Blat. Mas o script se perde na maneira como constrói —ou desconstrói, especialmente no caso de Brunoos personagens e conduz a história em seu último ato.

Apesar de usar a estrutura de uma comédia romântica, Júlia Rezende cuja estreia na direção foi o sucesso comercial "Meu Passado Me Condena: O Filme" (2013)aposta mais no romance e navega até pelo drama, utilizando a comédia em poucos momentos; mais naqueles que brincam com as diferenças entre Rio e São Paulo, como no da pizza de calabresa. Mas, se os estereótipos regionais são usados, também há de se destacar o esforço em ultrapassar essas visões limitantes opondo uma cidade sempre alegre e outra sempre cinza. Algo visto também na fotografia, que vai além dos cartões postais, para tentar captar o clima, em seu sentido mais íntimo, de cada local.

Há na produção uma clara iniciativa de atingir o público jovem, desde o texto, passando pela composição dos personagens e até a trilha sonora mesclando músicas nacionais e internacionais, a exemplo das canções de Thiago Pethit e Kaiser Chiefs. Tudo nos moldes de produções independentes ou de estilo indie.

"Ponte Aérea" é um filme leve e de fácil degustação, mas, se consegue ser ilustrativo em um aspecto da juventude atual no caso, a fragilidade de seus relacionamentos, deixa escapar a oportunidade de um retrato mais abrangente na oposição figurada pelos protagonistas, em que a projeção de uma carreira perfeita e a falta de ambição profissional facilmente se mostrariam como algumas das razões de frustração entre os jovens.

Assista ao trailer do filme "Ponte Aérea"

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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