Filmes e séries

Efeitos especiais e elenco garantem diversão em "Terremoto"

Nayara Reynaud

Do Cineweb, em São Paulo

27/05/2015 16h52

Na escala Richter, usada pelos cientistas para quantificar a magnitude de um abalo sísmico, cada grau a mais significa 10 vezes mais intensidade no terremoto.

Como, em todo filme-desastre, os fenômenos naturais são gigantescos e exagerados quando comparados com a realidade, não é de se espantar que em "Terremoto: A Falha de San Andreas", que estreia nesta quinta-feira (28), os abalos sejam dois graus maiores do que as previsões reais de sismólogos da região da Califórnia e atinjam um recorde de magnitude.

Neste blockbuster, tudo é em grande escala, dos efeitos especiais, passando pelas mortes não contadas, ao protagonista, encarnado por Dwayne Johnson, o "The Rock". Por outro lado, no entanto, o roteiro de Carlton Cuse e a construção dos personagens são tão fracos, que nem são necessários abalos secundários para derrubá-los.

A história acompanha, prioritariamente, Ray (Dwayne Johnson), piloto de helicópteros da equipe de resgate dos bombeiros de Los Angeles, e seus familiares.

Mas também é focado, em certos momentos, no sismólogo Dr. Lawrence Hayes (Paul Giamatti) e sua equipe que, capazes de prever os abalos, tentam alertar para o risco de uma sequência de grandes terremotos no decorrer da falha de San Andreas, especialmente em San Francisco, que causarão uma grande destruição e a separação desta porção de terra da Califórnia do continente.

Ray, que já perdeu uma de suas filhas em um afogamento acidental, o que gerou uma crise no seu casamento -- sua ex-mulher (Carla Gugino) já está com um novo namorado (Ioan Gruffudd), para o temor dele --, inicia uma missão de resgate pessoal quando sua outra filha, Blake (Alexandra Daddario), enfrenta os terremotos na companhia de dois irmãos ingleses, Ben (Hugo Johnstone-Burt) e Ollie (Art Parkinson).

Antes de mais nada, toda a lenda em torno da tal falha, que nada mais é do que o afastamento de duas placas tectônicas que se encontram no Estado, não é de toda errada, pois uma divisão pode ocorrer durante milhões de anos, sendo acelerada por um grande sismo.

A partir disso, o diretor Brad Peyton, de "Viagem 2: A Ilha Misteriosa" (2012) e "Como Cães e Gatos 2: A Vingança de Kitty Galore" (2010), tinha nas mãos a oportunidade de trabalhar diversos temas - segregação, divisões regionais, políticas e sociais no país entre outros que vier à cabeça - fazendo analogias com esse desastre natural.

Mesmo assim, questões morais facilmente discutidas em uma situação dessas são deixadas de lado ou estratificadas, sem debate.

Um exemplo é que, quando determinado personagem abandona outro à própria sorte em um primeiro incidente, ele é condenado por seu egoísmo, também apresentado em outra ocasião. Porém, a verdade é que a vítima naquele caso, também só vai se importar com a sua própria sobrevivência e dos que estão ao seu lado a partir de então.

Da mesma maneira, o protagonista está preocupado apenas em salvar a filha e, com exceção de uma ocasião, não exerce sua profissão em favor dos demais. Compreensível dada a situação; mas não fazer o personagem se questionar em nenhum momento por isso é uma infeliz omissão, assim como do próprio filme em não se importar pelas várias mortes ocorridas em favor do desastre em si.

Em um dos momentos mais sentimentalistas do longa, quando os fantasmas do passado são realmente colocados à tona, uma cena que tinha o potencial de ser a mais emocionante se perde em um texto fraco e na falta de verdade transmitida por Johnson e Gugino no instante em que as dores paternas/maternas de seus personagens são expostas.

De qualquer modo, a dupla tem carisma suficiente para agradar parte do público, sendo que outra, provavelmente, ficará ligada na boa química criada no núcleo jovem, com Daddario, Johnstone-Burt e Parkinson. Desperdiçado, Paul Giamatti se esforça e faz o melhor que pode com o arquétipo de cientista que lhe é dado.

Contudo, essa é aquela produção na qual o que "importa" são as sensações mais superficiais e os efeitos de vários prédios caindo, da terra ondulando, entre outros desdobramentos gigantescos capazes de tal entretenimento.

O 3D não é necessariamente indispensável, mas tem boa profundidade, e a experiência em 4D, para quem esteja disposto a desembolsar um valor maior para o ingresso, garante diversão e surpresas a mais para um filme-desastre que traz tudo aquilo que se espera dele, com direito àquela visão patriótica clássica com a bandeira dos Estados Unidos intacta após toda a destruição.

Entretanto, a imagem mais significativa em "Terremoto" é a do famoso letreiro de Hollywood indo abaixo, letra por letra. Sintomático, talvez.

Assista ao trailer do filme

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

do UOL
Chico Barney
do UOL
UOL Cinema - Imagens
UOL Entretenimento
Cinema
do UOL
AFP
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
AFP
do UOL
Cinema
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
Chico Barney
UOL Cinema - Imagens
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Roberto Sadovski

Roberto Sadovski

As 25 melhores histórias em quadrinhos da Liga da Justiça

Pincelar as melhores histórias da Liga da Justiça é um trabalho complexo. Não pela falta de qualidade, mas pelo contraste: muita coisa entre os primórdios da equipe e o final dos anos 80 tem mais valor por sua inegável importância histórica do que por seus predicados artísticos. O gibi da Liga, afinal, viveu por anos na sombra da animação Superamigos, e isso deixou o tom das histórias mais ingênuo e infantil até a reformulação pós-Crise nas Infinitas Terras. Mas garimpar todas as fases em décadas de aventuras trouxe boas surpresas e ótimas descobertas - além do perceber que, em boas, mãos, a Liga pode ser incrível! A leitura rendeu algumas conclusões. Primeiro, não há absolutamente nada errado em usar histórias de super-heróis para fazer humor! Segundo, o horrendo período dos Novos 52, que privilegiou forma, ignorou substância e fez um flashback sinistro dos primórdios da Image Comics nos anos 90 (urgh), não foi tão cruel com a Liga. Terceiro, pouca gente escreve e entende os herói tão bem quanto Grant Morrisson e Mark Waid. No mais, a Liga da Justiça, em usas diversas encarnações, ainda é aposta certeira quando o assunto é entretenimento - afinal, só uma equipe criativa muito canhestra poderia melar uma mistura de personagens e personalidades e superpoderes tão diversa e tão bacana! Acredite, se os super-heróis mais lendários do mundo sobreviveram a Extreme Justice, nada é capaz de derrotá-los!

Cinema
Colunas - Flavio Ricco
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
do UOL
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Topo