Cinema

Francês "Samba" combina humor e romance ao falar de imigração ilegal

Alysson Oliveira Do Cineweb, em São Paulo

Em "Samba", que estreia nesta quinta (9). os cineastas franceses Olivier Nakache e Eric Toledano se distanciam um pouco dos excessos melodramáticos e facilitadores de seu grande sucesso, inclusive no Brasil, "Intocáveis".

Aqui, lidam novamente com um tema sério, numa chave que flerta com a comédia, mas sem nunca se entregar completamente ao humor. Esse, quando aparece, vem mais do cotidiano do que de qualquer outra coisa.

Novamente, o protagonista é interpretado por Omar Sy, recentemente visto em "Jurassic World". Ele é Samba Cissé, imigrante senegalês que mora na França há uma década, fazendo pequenos trabalhos, tentando conseguir um visto, até que é preso.

Enquanto aguarda julgamento, é ajudado por duas voluntárias de uma ONG. Manu (Izia Higelin) é jovem, mas já conhece as dificuldades desse trabalho. Alice (Charlotte Gainsbourg) está em seu primeiro caso. Ela é uma executiva cumprindo licença depois de sofrer de estresse no trabalho.

Manu avisa a Alice para não se apegar às pessoas a quem ajudam mas, como qualquer pessoa percebe, este é um conselho que não vai surtir efeito. Logo a moça está interessada em Samba, e, quando ele recebe a sentença de abandonar o país, ela resolve ajudá-lo. Samba passa a viver com documentos ilegais, abrigado na casa de um tio idoso, que trabalha num restaurante.

O tema social da imigração ilegal, uma pauta quente na Europa atualmente, aos poucos, dá lugar ao romance entre o casal de protagonistas. Trabalhando com a adaptação de um romance de Delphine Coulin (recém-lançado no Brasil), os diretores não procuram facilitadores para os dramas, mas também não encaram a questão com profundidade. "Samba" é um filme romântico, em sua idealização de um problema tão complexo.

Nessa sua limitação, o filme acaba revelador de outra questão: como retratar o drama do imigrante sem cair na crueldade ou na complacência? Os diretores tentam resolver o dilema mostrando, basicamente, dois casos de imigrantes bem parecidos. Além de Samba, o outro é Wilson (Tahar Rahim), um suposto brasileiro. Os dois amigos se dividem em diversos empregos, sem perder o bom humor.

O carisma de Sy compensa boa parte das deficiências do filme embora seu humor eventualmente beire o limite. As cenas dramáticas são as melhores, quando o drama de seu personagem realmente emerge, e o filme tenta trazer alguma profundidade na sua abordagem do tema. Destaque para algumas cenas com o tio —interpretado por Youngar Fallcuja vida resume a mesma jornada do protagonista. O fato desse homem ter conseguido um visto seria algo bem-sucedido, mas a que preço?

Charlotte, por sua vez, é a mesma de sempre, numa personagem meio pálida e rasa, cujo problema emocional é a desculpa rápida e fácil para seus problemas e boa parte de seu comportamento. Há alguns anos, a atriz franco-inglesa parece estar acomodada num tipo de papel que domina, e fica feliz por aí mesmo. O que se viu há pouco em "Ninfomaníaca" talvez seja o esgotamento desse "modelo", e um indício que está na hora de buscar novos desafios.

"Samba" transborda de boas intenções e de uma trama excessivamente amarrada. Faltam-lhe umas pontas soltas, umas contradições e, não, o que Samba faz com um amigo de prisão, que é só um subterfúgio do roteiro para resolver um problema.

Assista ao trailer do filme

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