Cinema

Terror "A Possessão do Mal" perde ritmo com repetições do gênero

Rodrigo Zavala, do Cineweb* De São Paulo

"A Possessão do Mal", terror que estreia nesta quinta (1º/10), acompanha o documentarista Michael King (Shane Johnson), que perdeu a esposa e, no luto, qualquer espiritualidade que ainda lhe restasse. Em sua amargura, ele passa a acreditar que religião é terreno de embusteiros e, assim, dirige um documentário em que experimenta todo o tipo de rituais de invocação demoníaca para ridicularizar a crença alheia. Mas os planos não dão muito certo para ele.

A premissa do cineasta estreante David Jung (que também roteiriza a produção) já não era muito robusta. E embora ele faça escolhas acertadas no início, o desenvolvimento de "A Possessão do Mal" é irregular a partir da presença de múltiplos clichês de terror, que em vez de Jung apenas referenciar, na verdade copia.

Com o formato "found-footage", aquele em que filmagens são encontradas, o que garante à produção uma falsa aparência de fatos verídicos, o diretor tem o ator Johnson como um trunfo. Comprometido no papel, ele impressiona pela atuação em cenas mais dramáticas, como naquela em que confronta uma vidente (participação especial de Dale Dickey), cujos conselhos viabilizaram o acidente que matou sua esposa.

Ele passa realismo também nas variadas cerimônias obscuras que encontra, entre claros charlatões com perversões sexuais e necromantes (aliás, um alívio cômico com desdobramentos assustadores). Entre a ironia e o terror, Jung leva sua história com inteligência até a metade da produção, quando se rende aos lugares comuns que filmes de possessão demoníaca têm usado à exaustão.

De um terror psicológico, estruturado a partir de um cético que passa a se sugestionar com o seu novo meio, a narrativa se concentra na aparição sobrenatural. É quando se percebem as fragilidades de Jung: na falta de criatividade para levar o enredo, na pouca coerência no relacionamento entre personagens e na dificuldade de criar situações de tensão, além do uso da trilha sonora para causar sustos ou da violência explícita desnecessária.

Independente e com baixo orçamento, o filme não tem a solidez de seus pares, como "Holocausto Canibal" (1971), que inovou com o "found-footage", "A Bruxa de Blair" (1999), que reinventou o modelo, e "Atividade Paranormal" (2007), que o tornou moda. E não se trata de um possível esgotamento do gênero, e sim da incapacidade de Jung para trazer originalidade, perspicácia e, claro, terror ao cinema.

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