Filmes e séries

ESTREIA-Ana Paula Arósio é Lady Macbeth em "A Floresta que Se Move"

04/11/2015 16h48

SÃO PAULO (Reuters) - Aparentemente, o diretor Vinicius Coimbra não é de se intimidar diante dos clássicos da literatura. Em 2011, assinou “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, premiado no Festival do Rio daquele ano. Depois de Guimarães Rosa, ele volta sua câmera para William Shakespeare, fazendo uma adaptação fria e pomposa de “Macbeth” em “A Floresta Que se Move”, protagonizado por Gabriel Braga Nunes e Ana Paula Arósio, voltando ao cinema depois de cinco anos (o último filme foi “Como Esquecer”, de 2010).

A trama se passa no presente, numa cidade chamada São Paulo (a partir de uma pista encontrada na placa dos carros), mas que em nada se parece com a cidade que conhecemos – talvez seja num outro país, ou planeta, dada a atmosfera de mistério e estranhamento do longa.

O reino da Escócia foi substituído por um banco, e Macbeth, por Elias (Braga Nunes), que, ao voltar de uma viagem de negócios, com o colega de trabalho César (Ângelo Antônio), é surpreendido por uma bordadeira (Juliana Carneiro da Cunha), que afirma que até amanhã, ele será presidente do banco.

Isso desencadeia uma série de acontecimentos que farão cumprir a profecia: o vice-presidente é afastado por corrupção, Elias assume seu cargo, e, com ajuda de sua mulher ambiciosa, Clara (Arósio), cria um plano para matar o presidente do banco (Nelson Xavier). Eles conseguem atingir os objetivos, mas não sem um alto preço a pagar.

Enfim, a trama shakespeariana está praticamente toda na tela – o roteiro é assinado pelo diretor e Manuela Dias –, o que é uma vantagem e um problema. Do lado positivo está a narrativa bem estruturada, revelando as ambições e mazelas dos personagens.

Porém, o excesso de reverência – com a maior parte dos diálogos não adaptados à linguagem contemporânea – torna o filme pomposo, descolado da realidade, deixando os atores pouco à vontade. Eles parecem ter decorado falas numa língua estrangeira, e a reproduzem como se não soubessem ao certo o que dizem.

Há alguns poucos bons momentos no filme – especialmente quando este se distancia do realismo e da reverência e se deixa levar pela fantasia (com um banho de sangue ou um exército de formigas). Essas são algumas das cenas mais criativas do filme e também aquelas que podem lembrar que, no seu tempo, Shakespeare era uma diversão que transitava entre o erudito e o popular, e que a reverência a ele veio com o tempo. Aqui, o resultado, ao invés de aproximar o público do bardo, alimenta a ideia de um Shakespeare intransponível, que parece ser para poucos.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
EFE
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Cinema
do UOL
AFP
do UOL
Reuters
AFP
do UOL
Reuters
do UOL
Reuters
do UOL
BBC
do UOL
Chico Barney
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
UOL Entretenimento
Cinema
do UOL
AFP
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
AFP
do UOL
Cinema
Topo