Filmes e séries

"Não sou inimigo de policiais", diz Tarantino após participar de protesto

Eduardo Munoz Alvarez/Afp Photo
24.out.2015 - Quentin Tarantino participa de marcha contra violência da polícia americana em Nova York Imagem: Eduardo Munoz Alvarez/Afp Photo

Jill Serjeant

De Los Angeles (EUA)

04/11/2015 11h54

O cineasta Quentin Tarantino disse nesta terça-feira (3) que não será intimidado por sindicatos de policiais que pediram um boicote a seus filmes devido a comentários feito por ele em uma manifestação contra a brutalidade policial nos Estados Unidos.

Em suas primeiras observações sobre a crescente controvérsia, o diretor premiado com o Oscar disse ao Los Angeles Times que não é um "inimigo da polícia" e que suas palavras tinham sido deturpadas.

"Não estou sendo intimidado", disse Tarantino ao jornal. "Francamente, é péssimo ter um monte de porta-vozes policiais dizendo que odeio policiais. Não sou um inimigo dos policiais. Isso é uma deturpação. Isso é calunioso. Isso não é o que penso", declarou o premiado diretor.

A Associação Nacional de Organizações Policiais (Napo, na sigla em inglês) se uniu na semana passada às campanhas de sindicatos de policiais de Los Angeles, Nova York e Filadélfia em um boicote aos filmes de Tarantino, incluindo "Os 8 Odiados", que será lançado em janeiro no Brasil.

A Napo também pediu a seus associados que não forneçam segurança, controle de tráfego ou assessoria técnica a qualquer um dos projetos do cineasta após observações de Tarantino em uma manifestação em Nova York contra as mortes de negros por policiais civis.

"Quando vejo o assassinato, não posso ficar parado, e tenho que chamar assassinato de assassinato, e tenho que chamar assassinos de assassinos", disse Tarantino no palanque da manifestação no mês passado, segundo relatos.

"Os policiais não são todos assassinos. Eu nunca disse isso. Nunca sequer insinuei isso", justifica Tarantino.

A indignação pública sobre as mortes de homens negros nas mãos da polícia em Nova York, Missouri, Baltimore, Carolina do Sul e em outros lugares dos Estados Unidos motivam manifestações e processos contra a polícia em todo o país há mais um ano.

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