Festival de Cannes

Em Cannes, produtor russo diz que políticos irão odiar "Loveless"

AFP PHOTO / LOIC VENANCE
O diretor russo Andrey Zvyagintsev ao lado dos atores Maryana Spivak e Alexey Rozin, protagonistas de "Loveless", em Cannes Imagem: AFP PHOTO / LOIC VENANCE

18/05/2017 18h12

Os criadores da aclamada tragédia russa "Leviatã" exibiram seu novo filme no Festival de Cannes de 2017 nesta quinta-feira (18), outro drama pessoal com subtons políticos que, segundo seu produtor, os próprios políticos certamente irão odiar.

"Loveless" é a história de um casal que fica à beira de um divórcio amargo quando seu filho de 12 anos desaparece. Alerta de spoiler: a crise não reaproxima em nada marido e mulher, e as coisas vão de sombrias a horríveis em um drama só aliviado por pitadas de humor negro.

Embora menos explicitamente politizado que "Leviatã" -- que trata de um homem cuja casa é confiscada por uma autoridade corrupta --, críticos logo identificaram temas subjacentes que podem não agradar o presidente russo, Vladimir Putin.

"(O diretor) Andrey Zvyagintsev não pode declarar abertamente, com cores berrantes, a corrupção total de sua sociedade, mas... pode fazer um (filme) como 'Loveless', que lança um olhar agourento e reverberante não sobre a política da Rússia, mas sobre a crise de empatia no cerne da cultura", escreveu Owen Gleiberman, da revista Variety.

O produtor do filme contou aos repórteres por que "Loveless" foi feito sem o financiamento estatal que "Leviatã", indicado ao Oscar, recebeu.

"O Ministério da Cultura da Rússia fez de tudo para enfatizar como desgostou de 'Leviatã' e seu desejo de evitar qualquer repetição deste tipo de erro no futuro", disse Alexander Rodnyansky em uma coletiva de imprensa falando em inglês.

"É por isso que eu decidi que não precisamos constrangê-los de novo e decidimos fazer o filme sozinhos".

Em sua resenha de cinco estrelas, Peter Bradshaw, do jornal The Guardian, disse: "'Loveless'... tem uma intensidade hipnótica e uma ambiguidade insuportável até o final. Esta é uma história da Rússia moderna, cujo povo está à mercê de forças implacáveis, um mundo sem amor como um planeta sem os meios plenos para sustentar a vida humana..."

Rodnyansky disse que, embora o filme seja sobre "a vida russa, a sociedade russa e a angústia russa... não é especificamente russo, acredito que é muito universal".

"(Os filmes de Zvyagintsev são) sempre a respeito de pessoas, e não políticos, e é por isso, por sinal, que os políticos nunca gostam destes filmes."

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