Oscar

Como a Mia de "La La Land", Emma Stone também viveu fracassos e rejeição

Eduardo Graça

Colaboração para o UOL, em Toronto (Canadá)

Lançada ao estrelato como o par romântico do herói em "O Espetacular Homem-Aranha" (2012) depois de se destacar em filmes como "Histórias Cruzadas" (2011), Emma Stone pôde reviver um pouco das dificuldades de seu início de carreira em "La La Land - Cantando Estações", que estreia no Brasil na quinta-feira (19).

A atriz de 28 anos se encontrou em Mia, a aspirante a estrela que sonha em vencer na Hollywood contemporânea, cenário do filme de Damien Chazelle ("Whiplash - Em Busca da Perfeição"), e que se apaixona pelo Sebastian de Ryan Gosling, um pianista interessado em provar que o jazz não morreu, que sonha abrir um clube dedicado ao gênero na cidade ensolarada.

"Eu também me mudei para Los Angeles para fazer filmes e passei pela rejeição de testes de elenco, exatamente como ela", contou Emma, em entrevista ao UOL. "Meus seis primeiros anos em Hollywood me ajudaram a entender bem o que é o sentimento de isolamento, a sombra do fracasso, da rejeição".

Ironicamente, o filme que mostra o quanto pode ser frustrante perseguir o sucesso em Hollywood também é o que deixa Stone mais perto de uma estatueta dourada. Indicada ao prêmio da Academia de Hollywood em 2015 como coadjuvante, por “Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)", ela chega à reta final de premiações já laureada em Veneza e no Globo de Ouro, e como franca favorita ao Oscar, que anuncia seus indicados no dia 24 de janeiro.

Uma das coisas que tem conquistado a crítica e que é grande parte do charme de “La La Land” (uma brincadeira com o apelido de Los Angeles, L.A.) é a mescla de nostalgia – o longa é uma homenagem rasgada à era de ouro dos musicais americanos – com a vida cotidiana em uma grande metrópole americana. A Los Angeles do filme é tão maculada quanto os protagonistas do filme, que cantam, dançam, sonham, se amam e se distanciam um do outro como se fossem gente como a gente.

Em entrevista ao UOL, Stone também contou como nem ela escapa ao poder de uma trilha sonora que não sai da cabeça de quem assiste ao filme que críticos nos dois lados do Atlântico Norte dizem ser o responsável pela reinvenção do musical em Hollywood. Os melhores trechos da conversa, durante o Festival de Cinema de Toronto, seguem abaixo.

UOL - Musical não é exatamente uma novidade para você. Foi muito diferente viver a Mia e fazer a Sally de "Cabaré" na Broadway?
Emma Stone -
Foi completamente diferente. Bom, a Sally, tem um momento em que ela vai para o centro do palco e as luzes estão todas nela e é como se ela estivesse fazendo um teste de elenco, como os que a Mia faz em “La La Land”, mas com a câmera em cima de você é outra coisa, viu? (risos).  Atores gostam de se esconder, apesar de tudo.

O que foi mais difícil, cantar ou dançar?
Cantar! Eu adoro dançar. Veja bem, eu não sou nem a melhor dançarina nem a melhor cantora do planeta, e nem era isso o que o Damien estava procurando ou teria escolhido outra atriz para o papel. Mas eu tenho um prazer especial em dançar e cantar, com esta voz que Deus me deu (enfatizando a rouquidão que é uma de suas marcas) não é tão fácil assim não.

O filme inicialmente seria centrado em personagens mais jovens (e seriam vividos por Miles Teller e Emma Watson). Com a mudança de elenco a história também foi alterada?
Huum...tivemos mais liberdade para improvisar e Damien reescreveu cenas enquanto filmava, o que deu uma dinâmica interessante e especial para o filme, acho que aparece no resultado final. Mas cenas emblemáticas como a do planetário com os dois dançando com as estrelas, deixando a lei da gravidade para lá, e a sequência final, que eu adoro, ficaram iguaizinhas, do jeito que ele descreveu em nosso primeiro encontro.

Como é que ele vendeu a Mia para você?
A gente teve uma longa conversa antes mesmo de eu ler o roteiro. Ele me mostrou algumas das músicas do filme, que já estavam prontas, e me falou da ideia de filmar um musical na Los Angeles dos dias de hoje, mas com o estilo dos clássicos da MGM dos anos 1950, com humor, leveza e romance realista, e eu achei aquilo tudo ao mesmo tempo fascinante, divertido e ambicioso pra caramba. E disse sim.

E você sabia que iria fazer par romântico com Ryan Gosling novamente...
Ah, sim, fundamental!

O que faz vocês terem esta química toda?
Sabe quando a gente se conheceu?

Não...
No teste de elenco de “Amor A Toda Prova”, em 2010. Nos pediram para improvisar, fazer alguma coisa juntos, e foi igual ímã, deu liga. E, claro, a gente nem sonhava com isso, mas ter esta intimidade foi importante para “La La Land” tantos anos depois. A confiança é total. As aulas de dança de salão a dois foram divertidas.

Mia quer ser uma atriz. Foi inevitável se ver nela?
Ah, foi, claro. Eu também me mudei para Los Angeles para fazer filmes e passei pela rejeição de testes de elenco, exatamente como ela. Meus seis primeiros anos em Hollywood me ajudaram a entender bem o que é o sentimento de isolamento, a sombra do fracasso, da rejeição. A cena em que Mia está no meio de um teste e eles param para receber uma ligação, eu vivi algo muito parecido. E a em que ela é interrompida no meio do choro em uma cena super emocional, o Ryan passou por aquilo e Damien resolveu incluir na história.

O filme é, também, uma senhora declaração de amor a Los Angeles, não? E, apesar de toda a fantasia e as locações românticas, começa propositadamente com um dos males da cidade, um engarrafamento...
Verdade. Damien buscou o tempo todo o balanço entre o realismo e fantasia, mais típica de um musical clássico. Como a câmera recebeu um tratamento artístico bem específico, pensando na era de ouro dos musicais, ele nos pediu que mantivéssemos nossos personagens com os pés no chão, tirando a cena do planetário, claro (risos).

Ele também pediu para vocês assistirem aos clássicos?
Sim. Ele programou projeções de filmes do Jacques Demy, como “Os Guarda-Chuvas do Amor” e “Duas Garotas Românticas”, mas meu coração sempre esteve em “Cantando na Chuva”, meu ideal de perfeição no cinema. Vimos muitas coisas de Fred (Astaire) e Ginger (Roberts), mas com a cabeça no presente, no agora, na Los Angeles dos engarrafamentos, como você disse.

“La La Land” é um filme de cenas tão românticas quanto marcantes...
Concordo.

É justo eu pedir que você escolha a sua favorita?
Huuum... Vvai ser a mais difícil para mim, o dueto no parque Griffith, Mia vestindo amarelo, e nossa dança, minha e do Ryan, dela com o Seb. Foram cinco tomadas, em dois dias, a luz perfeita do fim do verão em Los Angeles, e aquele que acho ser o núcleo emocional do filme, quando eles percebem estar em sintonia. O mundo, este nosso mesmo do dia a dia, eles sacam, também pode ser um musical. E eu adoro aquela sacada, aquele momento.

Você andou dizendo que morre de vergonha, mas tem sido pega cantarolando “City of Stars”, quiçá a música mais emblemática do filme, em filas de supermercado...
...E na farmácia, no aeroporto. Mico total. E a quantidade de músicas da trilha sonora que canto no banheiro de casa e nos hotéis? Nos hotéis é pior, né? Ontem, antes de ir pra pré-estreia aqui em Toronto, cantei alto no chuveiro até me tocar que o pessoal da maquiagem, dos figurinos, todo mundo podia me ouvir. Eu canto alto, né? E o mesmo com “Cabaré”, eles nunca mais saíram da minha cabeça, deve ser um bom sinal, mas que é um mico, é! (risos).

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