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29/01/2009 - 14h50

Sam Mendes volta a examinar o mal-estar da classe média em "Foi Apenas um Sonho"

SÃO PAULO - Quase doze anos após o megassucesso "Titanic" (97), Leonardo DiCaprio e Kate Winslet estão juntos novamente num drama romântico. Trata-se de "Foi Apenas um Sonho", do diretor inglês Sam Mendes, que concorre a três Oscar: melhor figurino, direção de arte e ator coadjuvante (Michael Shannon).


No Globo de Ouro, o filme teve melhor sorte, vencendo o troféu de melhor atriz dramática (Kate Winslet) e ainda sendo lembrado com indicações de melhor filme (drama), melhor diretor e melhor ator (DiCaprio).

Nos anos 50, Frank (DiCaprio) e April (Kate Winslet) têm menos de 30 anos, vivem nos arredores de Nova York, criando um casal de filhos adoráveis. Ele trabalha no departamento de vendas de uma empresa de máquinas, ela é dona-de-casa. Tudo estaria muito bem, não fosse o desânimo que toma conta dos dois, sentindo marasmo em suas vidas.

April sofre com a falta de perspectivas de futuro, após abrir mão de uma possível carreira de atriz. Além disso, sente o peso da responsabilidade de manter a harmonia do casal.

TRAILER DE "FOI APENAS UM SONHO"
CLIQUE AQUI PARA VER MAIOR
Não é à toa que April e Frank têm discutido tanto. Eles mal conhecem a si mesmos, que dirá um ao outro. Assim, todas as brigas acabam mal.

"Foi Apenas um Sonho" é um filme sobre um casal e uma época, mas também sobre um sentimento existencial. Quase dez anos depois de "Beleza Americana" (99), Sam Mendes volta a examinar o mal-estar da classe média suburbana, agora a dos anos de 1950 - mas que não deixa de alguma forma também de ser atemporal.

Os melhores momentos de "Foi Apenas um Sonho" são aqueles em que Frank e April são obrigados a encarar um ao outro, seus medos e frustrações - especialmente depois da visita de um vizinho com problemas mentais, vivido por Michael Shannon (indicado ao Oscar como coadjuvante), que joga na cara do casal aquilo que eles chamam de "vazio sem esperança".

Para fugir desse mal-estar que os consome, April planeja uma mudança para Paris, onde ela deverá trabalhar como secretária e sustentar Frank e as crianças, enquanto o marido decide o que realmente quer fazer da vida. Essa opção, aliás, é um escândalo para os vizinhos - entre eles, a corretora de imóveis interpretada por Kathy Bates. Porém, isso é apenas um plano. A realidade mais cedo ou mais tarde bate à porta, transformando o sonho americano em pesadelo.

O romance que deu origem ao filme, no original, "Revolutionary Road" - e que acaba de ser lançado no Brasil com o mesmo título do filme - é de 1961, ou seja, foi publicado poucos anos depois da época que retrata.

Esse é o tipo de livro que Hollywood em geral hesita em levar às telas, pois aqui não há catarse, não há redenção: é uma história que vai de mal a muito pior, é o retrato de uma geração.

A adaptação assinada por Justin Haythe mantém, inclusive, alguns diálogos literais do livro, mas raramente consegue entrar no centro da emoção dos personagens tão bem quanto o texto original de Yates.

DiCaprio está muito bem, mas a alma do filme é mesmo Kate. Numa cena, perto do final, quando se despede do marido que sai para o trabalho e força o sorriso para não entregar seus planos, é fácil entender por que essa é uma das atrizes cuja interpretação nunca decepciona.

(Alysson Oliveira, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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