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Ficha completa do filme

Comédia Dramática

O Reencontro (1983)

Resenha por Sérgio Alpendre

Sérgio Alpendre

Da redação 01/07/2011
Nota 4
O Reencontro

A abertura de "O Reencontro" (1983), de Lawrence Kasdan, é exemplar. Kevin Kline dá banho em seu pequeno filho, enquanto a esposa, Glenn Close, atende o telefone. Após desligar o aparelho, a expressão de seu rosto é grave, algo aconteceu. Entra "I Heard it Through the Grapevine", versão de Marvin Gaye, aparecem os créditos e amigos se aprontam para uma viagem, enquanto um cadáver é vestido e preparado para um velório.

Está feita, nessa abertura, a ponte entre o fim da década de 1960 (a música da abertura, bem como toda a trilha do filme) e 1983, quando os amigos se reencontram para o funeral de uma pessoa querida, Alex, que se formou com eles e que havia se suicidado.

As imagens mostram os personagens e o que se tornaram: na maioria yuppies, com escritórios localizados em lugares valorizados de grandes cidades (Mary Kay Place), sapatos brilhantes, carreiras de prestígio na televisão (Tom Berenger), exceto um: o veterano do Vietnã interpretado por William Hurt, que se tornou impotente e viciado em cocaína e anfetaminas.

Jeff Goldblum também é uma exceção, embora não queira ser: é jornalista, desesperado para se enquadrar nos novos tempos. JoBeth Williams casou-se com um executivo que renega as ambições de quando esses amigos estudavam juntos, eram hippies, deviam abominar a ideia de fazer coisas apenas por prestígio e dinheiro.

Tem ainda a personagem de Meg Tilly, que cultua o corpo acima de tudo. Ex-namorada de Alex, parece uma cabeça oca, mas tem uma participação importante na reunião dos amigos.

Kevin Costner foi escalado para viver Alex, mas todas suas cenas (flshbacks dos demais personagens) foram cortadas da versão final. No entanto, Costner pode ser visto como o cadáver que é vestido na abertura.

1983 é um ano em que as feridas dos anos 1970 ainda ecoavam fortes na sociedade americana, que estava, então, sob a presidência de Ronald Reagan, considerada fascista por muita gente. Esse mal-estar ecoa por todo o filme, pulverizando o humor postiço dos amigos.

Talvez fosse necessário um final mais amargo para que o filme se completasse em sua visão de mundo em transformação. Algumas cenas levam o espectador para outro lado, talvez por medo de o clima ficar muito pesado e todo o trabalho fracassar nas bilheterias. Mas é fruto de uma observação cuidadosa do que estava acontecendo, e do que iria explodir em poucos anos: a decadência completa (irreversível?) da civilização.

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