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Ficha completa do filme

Drama

Filhos do Silêncio (1986)

Resenha por Márcio Ferrari

Márcio Ferrari

Da redação 28/05/2010
Nota 1
Filhos do Silêncio

Houve um tempo em que o cinema americano produzia regularmente filmes sobre pessoas com deficiências, narrados com fartas doses de sentimentalismos. Eram em geral destinados a angariar prêmios, de preferência o Oscar, para seus atores principais. Foi assim com Dustin Hoffman (por ''Rain Man'') e Daniel Day Lewis (''Meu Pé Esquerdo''). E também com Marlee Matlin, a atriz que interpreta a garota surda-muda de ''Filhos do Silêncio''.

A diferença é que neste caso não se tratava de um ator consagrado num ''tour de force'', mas de uma estreante que é de fato deficiente auditiva. Além de ter dado o Oscar de melhor atriz para ela, o próprio filme concorreu a melhor do ano e recebeu outras três indicações. Consta que depois da premiação a bilheteria cresceu 164%. Esses fatos indicam mais ou menos o que o filme é: um pouco diferente da média, mas não muito.

O enredo, baseado numa peça teatral, tem como protagonista um professor especializado (William Hurt) recém-contratado de uma escola para surdos-mudos. Usa métodos não muito ortodoxos, que provocam ligeiros desentendimentos com a direção mas conquistam os alunos. Uma funcionária encarregada da limpeza e também surda-muda, Sarah (Matlin), chama sua atenção pelo comportamento decidido e ríspido, que contrasta com a determinação de se manter em funções subalternas e de não aprender a falar, insistindo em apenas fazer contato com as pessoas a sua volta pela linguagem de sinais.

O professor se aproxima dela para levá-la a mudar de ideia. É claro que logo se apaixona e, obcecado em fazê-la superar seu isolamento, vai atrás de seu histórico familiar. Descobre que Sarah havia na adolescência ficado famosa pela liberdade com que se relacionava sexualmente. Era um modo de mostrar que dominava as práticas sociais tanto quanto (ou mais) do que qualquer outra garota da comunidade. E seus pais não a aceitavam.

A história é basicamente sobre esses conflitos de linguagem. A orgulhosa Sarah se recusa a deixar que o professor a domine fazendo com que ela se submeta a ''sua'' linguagem. O filme é bastante falho, no entanto, em estabelecer esses campos em conflito, uma vez que o professor entra e sai de cena como a parte dominante. A abordagem da deficiência auditiva em si mesma também é limitada, a começar pelo fato de que a personagem de Sarah não é uma pessoa comum, mas alguém cuja surdez é de alguma forma compensada pela beleza e por uma inteligência excepcional.

A grande qualidade do filme é evitar com razoável delicadeza os arroubos dramáticos e o triunfalismo. É uma história de amor num ritmo lento, destoante dos padrões atuais do cinema, e que ganha veracidade pelo trabalho dos atores: além de Marlin Matlee e William Hurt, há a participação ao mesmo tempo discreta e veemente de Piper Laurie como a mãe de Sarah.

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