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Ficha completa do filme

Drama,Animação

O Corcunda de Notre Dame (1923)

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema 01/01/2006
Nota 4

Lamentavelmente não existem mais negativos nem cópias em 35 mm (apenas em 16 mm, graças à política da Universal de lançar seus filmes nesse formato para locação e venda) desse grande clássico do período mudo, um marco para a época e espetacular ainda hoje. Era um projeto de Irving Thalberg, que deixou o estúdio (para ir trabalhar com Louis B. Mayer no que depois seria a Metro) sem realizá-lo.

Mas ele já havia persuadido a Universal a caprichar e eles não economizaram, construindo um gigantesco set de padrões Griffithianos, que reproduzia em detalhes a Catedral de Notre Dame e arredores e a Praça dos Milagres, onde se reuniam os ladrões e mendigos de Paris. Mas nada sobrepujava em impacto a atuação de Lon Chaney (1883-1930), o Homem das Mil Faces, grande ator especializado em papéis bizarros, com muita maquiagem e transformações físicas, que já tinha feito dezenas de filmes mas ainda não era um grande astro.

Chaney chegou às raias do masoquismo carregando uma pesada corcunda falsa, usando uma roupa de borracha coberta de pele animal, estufando as bochechas e com uma complexa máscara facial, que incluía um olho falso saltado. Isso durante os três meses que duraram as filmagens. Mas o ator foi recompensado com o estrelato, em uma construção do personagem que seria definitiva e influenciaria as outras (a única que teria nível de comparação seria a de 1939, por Charles Laughton, no filme da RKO).

Mas o diretor Worsley (1880-1944), que nunca mais fez nada notável, foi capaz de orquestrar a gigantesca produção, evitando explorar apenas o personagem de Quasímodo (que é até relativamente secundário no romance de Victor Hugo, que originalmente se chama apenas "Notre-Dame de Paris"), mas também as tramas paralelas do romance de Esmeralda (feita pela graciosa Patsy Ruth Miller) com o soldado Phoebus (Norman Kerry), as intrigas da catedral, as atividades dos ladrões, os mais de dois mil figurantes. Ou seja, é um grande clássico.

O filme originalmente tinha 133 minutos (uma metragem excepcional para a época), mas as versões que sobreviveram tem entre 80 e 120 minutos. Consta que os trechos perdidos eram na sua maioria de cenas com o chefe dos ladrões Clopin, feito por Ernest Torrence. Esta, com 101 minutos e excelente trilha sonora com música e efeitos sonoros, é bastante boa, o suficiente para se captar a grandeza e esplendor do filme. Edição de banca.

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema [resenha-data-cadastro]
Nota 1

Trigésimo-sexto longa metragem de animação Disney. Primeiro desenho animado do Estúdio, inspirado não em conto de fadas, mas em clássico da Literatura francesa.

O romance "Notre Dame de Paris" de Victor Hugo, já levado ao cinema inúmeras vezes. Lógico que tornando a figura repelente do Corcunda, mais fofa e boazinha, como um novo Fera (de "A Bela e a Fera"). Também mudando o final trágico para algo mais positivo. Ainda sim o filme é soturno e pesado demais para crianças (também um pouco longo).

Tem um certo erotismo na figura da cigana Esmeralda, desejada pelo vilão (talvez por inibição ou censura, a figura dela é a pior resolvida). Fugiu-se também da fantasia (as únicas figuras fantasiosas são as três gárgulas que só tomam vida quando são vista pelo ponto de vista do Corcunda).

Também não tem a coragem de expandir o amor do casal, preferindo acentuar o romance de Esmeralda com o oficial. A trilha musical de Alan Menken é fraca e não fez sucesso. Mas o visual é bonito, tentando reproduzir o clima gótico da Catedral, dos mais requintados que Disney já fez. Também são excelentes as cenas de multidão (feitas com a ajuda de computador). É capaz dos adultos gostarem mais do que as crianças.

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