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Ficha completa do filme

Drama

Ladrões de Bicicletas (1947)

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema 01/01/2002
Nota 5

Premiado com Oscar de Filme Estrangeiro (na época especial), Nastro D´Argento (melhor filme, roteiro, roteiro, foto, musica), Especial do Júri de Locarno, etc. . . O ator que faz o operário trabalhava antes numa fábrica em Roma e De Sica procurou lhe dar poucos diálogos.

O tema do desemprego naquele momento histórico era muito grave em toda a Europa. Segundo Zavattini, "a idéia era desromancear o cinema. Gostaria de ensinar as pessoas a ver a vida cotidiana, com a mesma paixão que sentem ao ler um livro". A obra-prima da fase neo-realista do diretor Vittorio De Sica (1901-1974) em parceria com o amigo e roteirista habitual Cesare Zavattini (1902-1989), teórico do movimento com quem trabalhava desde "A Culpa dos Pais/ IBambini ci Guardano", 1943 e com quem havia feito antes outra fita importante "Sciusciá", 1946 (gíria para "Shoeshine/ Engraxate", a frase queos meninos pobres de rua usavam pedindo serviço para os soldados americanos).

Há uma história de que o produtor Selznick teria oferecido o dinheiro para a produção se Cary Grant fizesse o papel central. Obviamente, De Sica preferiu trabalhar com gente desconhecida, do povo, conforme a norma da Escola Neo-Realista. A escolha não podia ser mais feliz, a naturalidade da interpretação (em particular do menino, que tem um rosto de olhos claros, sensível, inesquecível) tornam o filme uma lição de humanidade e cinema (apesar das futuras imitações).

Embora seja inspirada em livro de Luigi Bartolini, o filme dá a sensação de ser uma história real, tirada realmente das páginas do cotidiano de qualquer grande cidade. Poderia se passar em qualquer lugar do mundo e com as mesmas conseqüências. Todo rodado em externas e lugares autênticos, é também uma viagem pela cidade que sofre ainda as conseqüências da Guerra. Afinal, como não se comover com a história de um pai de família que deseja trabalhar e lhe roubam justamente seu instrumento de trabalho? E quando tenta ser também ladrão, não tem realmente vocação para isso (reparem como o título é no plural) e se não é a intervenção do menino, a situação terminaria ainda pior.

De qualquer forma, o filme não faz concessões ao final, termina de forma melancólica (ainda que as mãos dadas sejam uma forma de solidariedadee amor). Como todo filme neo-realista, pretendia ser apenas uma "fotografia da realidade", a câmera seria apenas uma testemunha dos fatos e nada mais. Só que De Sica transcende esse testemunho da dor, expandido-a para toda uma sociedade (que é culpada pela aquela situação), sem fazer nenhum discurso. Apenas através da poética de sua narrativa e a sensibilidade da condução de seus atores. Notem também a citação cinematográfica do filme "Gilda" (é ao colar o cartaz da fita que lhe roubam a bicicleta). Imagem de qualidade boa. os

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