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Ficha completa do filme

Drama

Perdição por Amor (1952)

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema 12/04/2005
Nota 1

Considerando que as grandes distribuidoras evitam lançar no Brasil clássicos em preto e branco, é bem-vindo o lançamento deste filme do mestre William Wyler, considerado um dos maiores mestres e condutores de atores de Hollywood. "Perdição por Amor" foi um de seus raros fracassos de bilheteria, talvez por ser uma historia trágica e pouco comercial. Baseado em livro de Theodore Dreiser que, publicado em 1900, havia provocado escândalo e foi quase proibido, Wyler não conseguiu que dramaturgos como Lillian Hellman e Arthur Miller fizessem o roteiro, que ficou à cargo de Ruth e August Goetz ("Tarde Demais").

A história mostra Carrie, uma garoto do Meio-Oeste que chega a Chicago e sobe a escada do sucesso, abdicando de suas virtude para se tornar amante de homens ricos. O filme centra-se na figura de George Hurstwood, um gerente de um restaurante de luxo que é casado com megera (Miriam Hopkins, que havia sido estrela nos anos 30) e larga tudo para ficar com a bela e jovem interiorana. Eventualmente, ela se torna uma famosa estrela teatral e, no estilo "Anjo Azul", destrói aquele homem.

O diretor William Wyler chamou seu amigo Laurence Olivier na Inglaterra (foi Wyler quem o lançou como astro em "Morro dos Ventos Uivantes"), que precisava de dinheiro na época, para viver o drama de George. Wyler queria Elizabeth Taylor para fazer Carrie, mas a atriz tinha apenas 18 anos e a MGM rejeitou a idéia. A escolhida acabou sendo Jennifer Jones, mulher do produtor David Selznick, que fez lobby forte para a esposa protagonizar o filme. Não bastasse, a filmagem teve diversos problemas: por exemplo, Ruth Warrick foi despedida depois de dois dias de filmagem (substituída por Miriam Hopkins) e Jennifer Jones estava grávida _por isso há tantos closes dela.

Lançado em plena era McCarthy de "Caça às Bruxas", o filme era ousado para a época e foi perseguida pela direita ultraconservadora norte-americana. Esta versão contém uma sequência inteira, eliminada na versão original, que mostra Laurence Olivier na miséria, doente, em abrigo de vagabundos. O final, porém, poderia ter mais impacto. A cópia é apenas razoável. Jennifer exagera na interpretação e prejudica um filme que, por si só, já é trágico e pesado.

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema [resenha-data-cadastro]
Nota 3

Considerando que as majors evitam lançar no Brasil clássicos em preto e branco, é bem-vindo este filme do mestre William Wyler, considerado um dos maiores mestres e condutores de atores de Hollywood, baseado em livro de Theodore Dreiser (autor de "Uma Tragédia Americana", que resultou em "Um Lugar ao Sol", de George Stevens).

Chamava-se "Sister Carrie", mas o estúdio mudou o nome para não pensarem que se tratava da história de uma freira. Foi um de seus raros fracassos de bilheteria, talvez por ser uma história trágica e pouco comercial. Depois de não conseguir que os dramaturgos Lillian Hellman ou Arthur Miller fizessem o roteiro, o livro original publicado em 1900 havia provocado escândalo e foi quase proibido. Porque transgredia a moral vigente. Dreiser não julgava os personagens mas ilustrava suas falhas.

Carrie é uma garota do Meio Oeste que chega a Chicago e sobe a escada do sucesso, abdicando de suas virtudes, se tornando amante de homens ricos. O filme centra-se na figura de um gerente de um restaurante de luxo que é casado com uma megera (Miriam Hopkins, que havia sido estrela nos anos 30) e que larga tudo para ficar com ela. Eventualmente se torna uma famosa estrela teatral e no estilo "Anjo Azul" destrói aquele homem.

Wyler usou roteiro de autores de "Tarde Demais", Ruth e August Goetz. Chamou seu amigo Laurence Olivier na Inglaterra (foi Wyler quem o lançou como astro em "Morro dos Ventos Uivantes"), que precisava de dinheiro na época e acompanhou também sua mulher Vivien Leigh, que veio rodar em Hollywood "Uma Rua Chamada Pecado".

Queria Elizabeth Taylor para fazer Carrie, que tinha apenas 18 anos (mas a Metro rejeitou), depois Ava Gardner, mas também sempre reclamou de sua decisão de escolher Jennifer Jones, pressionado pelo produtor David Selznick, marido dela.

A filmagem teve problemas (Ruth Warrick foi despedida depois de dois dias e substituída por Miriam; Jennifer estava grávida e por isso há tantos closes dela, Wyler achava que ela não era a escolha certa, mas preferiu se calar a respeito). Lançado em plena era McCarthy de caça às bruxas, a fita era ousada para a época e foi perseguida pela Direita.

Esta versão contém uma seqüência inteira que mostra Olivier na miséria, num abrigo de vagabundos passando a noite doente, que havia sido eliminada nos EUA (cena 16). O final porém, poderia ter mais impacto. A cópia é apenas razoável. Jennifer exagera na interpretação, prejudicando um filme que por si só já é trágico e pesado.

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