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Ficha completa do filme

Drama

Uma Cruz à Beira do Abismo (1959)

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema 01/01/2006
Nota 4

Discreta e delicada reflexão sobre a vida religiosa, a vocação, a relação entre ela e a sociedade secular. Com um roteiro que se distancia dos clichês e das soluções óbvias, do dramaturgo Robert Anderson (adaptando livro autobiográfico de Kathryn C. Hulme) e direção sóbria de Fred Zinnemann, ambos indicados ao Oscar (por azar no ano em que "Ben-Hur" levou todos os prêmios).

Mas dependia de uma atriz certa como protagonista, que transmitisse total honestidade, sinceridade e pureza de sentimentos. Perfeito para o talento de Audrey Hepburn (1929-93), que deu uma grande e emocionante performance, também indicada ao Oscar. O filme acerta também ao fugir da dramatização excessiva, deixando que o espectador tire suas conclusões de acordo com suas crenças, com cenas que podem ser interpretadas tanto como apologia quanto crítica do sacrifício e desprendimento da vida religiosa. A ponto de ter sido o primeiro filme do estúdio em décadas de cinema sonoro a não ter música alguma na seqüência final, porque não queriam induzir os sentimentos do público em relação ao desfecho.

Zinnemann (1907-97) gostava de autenticidade, daí o primeiro ato mostrando os detalhes da rotina do convento, o poder da instituição sobre as freiras, e o segundo no Congo, repleto de imagens reais (e até impressionantes, como as da colônia de leprosos). Também o elenco de apoio é de primeira linha (Peter Finch, Dean Jagger, as Dames inglesas Edith Evans e Peggy Ashcroft).

Um filme que trata, sem sensacionalismo, de um tema polêmico e difícil. Foi indicado ainda aos Oscars de Filme, Fotografia, Som, Montagem e Trilha Musical. Ganhou ainda Globo de Ouro especial, Melhor Atriz e Diretor em San Sebastian, Críticos de Nova York.

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