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Ficha completa do filme

Comédia,Romance

Arabian Nights - As Mil e Uma Noites (1974)

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema 01/01/2004
Nota 4

Pier Paolo Pasolini (1922-75) concebeu a trilogia da vida, três filmes que celebram o sexo e a alegria, aproveitando clássicos eróticos da literatura mundial. Sem fugir também de momentos de violência e homossexualidade. Ele usa como epígrafe a frase "a verdade não está apenas num sonho, mas em muitos sonhos".

Todos os filmes seguem um esquema semelhante, são rodados em locações autênticas. Aqui em lugares nunca dantes mostrados pelo cinema em paisagens exóticas da Etiópia, Índia, Irã, Nepal e principalmente Iêmen (embora seja tudo seja dublado para o italiano).

Também a direção de arte e figurinos utiliza tecidos e roupas locais, embora toda a parte técnica seja assinada pelo que havia de melhor no cinema italiano, trilha musical de Ennio Morricone (utilizando instrumentos locais), figurinos de Danilo Donati, direção de arte de Dante Ferretti.

Além disso, Pasolini gostava de trabalhar com atores amadores, gente do povo, muitas vezes até inexperientes. Nesse aqui, há apenas dois intérpretes conhecidos, Sergio Citti, um dos roteiristas de "Saló", e o amigo e parceiro do diretor, Nineto Davoli. Numa cópia de boa qualidade, com muita nudez frontal, em forma episódica, Pasolini mistura fantasia, mito, comédia, poesia, sensualidade. Mas não tem nem Sherazade nem a estrutura tradicional de outros contos das "Mil e uma Noites".

Na verdade, há tanta nudez e cenas ousadas que o filme só estreou nos Estados Unidos em 1980, e no Brasil, ainda mais tarde, depois da abertura da censura. Mas curiosamente seu erotismo é natural, despudorado, sem maldade. De uma certa forma até primitivo.

Vencedor do Grande Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes, este é um filme muito especial, dos que melhor revelam o estilo do artista.

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