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Ficha completa do filme

Drama

O Homem que Virou Suco (1981)

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema 25/08/2009
Nota 5
O Homem que Virou Suco

Grande clássico do cinema político brasileiro, belamente restaurado pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro com a aprovação do diretor João Batista. Um grande momento de José Dumont, que faz papel duplo, de Deraldo, poeta popular que vende seu trabalho nas ruas de São Paulo, e seu sósia Severino, um trabalhador da indústria que matou o patrão no momento em que ia ser premiado como operário-padrão do ano.

Confundido com o assassino e procurado pela polícia, Deraldo passa por uma via-crúcis onde conhece o preconceito, a exploração e o sofrimento dos nordestinos pobres que vêm para a cidade grande. João Batista filmou seu roteiro (que ele havia originalmente concebido como um cordel) de forma muito livre e documental, improvisando nas ruas de São Paulo, em canteiros de obras, favelas.

Mas no que mais acertou foi no personagem central, combativo e articulado, que não apenas testemunha as condições brutais e desumanas sob as quais o sistema absorve os nordestinos pobres mas que se insurge contra elas. Há grandes momentos: a busca que a polícia faz na favela às escuras, sua passagem por um albergue para mendigos mantido por uma dondoca, o audiovisual que ele assiste como requisito para trabalhar no Metrô, que faz a apologia da perda da identidade do nordestino, ele lendo e escrevendo cartas para os peões de obra analfabetos, o flash-back que mostra as motivações do operário assassino que involuntariamente o levou a marginalidade.

O pouco sucesso no lançamento, até pela temática em oposição ao título que sugeria uma comédia, foi compensada pelo prestígio logo alcançado e pelas premiações (melhor filme no Festival de Moscou, roteiro em Brasília), inclusive de Dumont, que ganhou como melhor ator em Gramado, Brasília e no Festival de Huelva, na Espanha. E o filme, apesar de suas limitações técnicas e do estilo despojado e direto de João Batista, ainda mantém o seu impacto e contundência ao falar sobre uma situação em que pouca coisa mudou. A edição, apesar da cópia excelente (que só não é melhor por deficiências do próprio filme, que foi originalmente rodado em 16 mm e cujos negativos originais se perderam), podia trazer um Making-of retrospectivo com elenco e equipe. Esta não traz absolutamente nada.

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