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Ficha completa do filme

Documentário

Filmando a Guerra (2000)

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema 01/01/2004
Nota 5

São imagens impressionantes e reais. Rodadas em plena Segunda Guerra Mundial sob fogo inimigo, com os cinegrafistas correndo perigo de vida e muitas vezes sendo feridos ou até morrendo. Algumas, por exemplo, foram as últimas imagens fotografadas por um câmera que logo depois faleceu. São apenas algumas das fantásticas imagens apresentadas neste documentário, uma produção de Steven Spielberg narrada e apresentada por Tom Hanks, ambos admiradores confessos de tudo que se refere à Segunda Guerra Mundial. Aliás, não é difícil perceber que quando gravou a apresentação, Hanks estava rodando "Náufrago", a barba e a magreza não deixam mentir. Outro detalhe importante. Foi se inspirando nessas imagens reais que Spielberg criou as cenas de desembarque na Normandia para o filme "O Resgate do Soldado Ryan". Embora justamente sobre esse fato haja pouco material. Quase tudo se perdeu no mar e restaram apenas poucas cenas registrando um momento de descanso e tensão.

O documentário é importante primeiro por registrar um momento da História. Depois de Pearl Harbor, o governo americano convocou os principais cineastas a trabalharem filmando cenas de combate e ação, que serviriam de propaganda em cine-jornais e na série "Why we Fight" (Porque lutamos). É preciso lembrar que na época não existia televisão e as pessoas ansiosas por notícias corriam para os cinemas para ver as últimas novidades. Naturalmente as cenas mais fortes não era mostradas. Mas o time que trabalhou na Guerra era de primeira linha: Alfred Hitchcock, Frank Capra, Wiliam Wyler, Anatole Litvak, John Huston, todos largaram a carreira e os salários e foram trabalhar praticamente de graça no esforço de guerra.

John Ford teve a missão de registrar o ataque de Pearl Harbor e em algumas cenas preferiu recriá-los com maquetes e efeitos não muito especiais. Mas já na batalha de Midway, há cenas incríveis, tomadas de porta-aviões. Na Guerra do Pacífico as cenas foram ainda mais ousadas, muitas vezes os cinegrafistas desciam nas praias antes dos próprios soldados para poder filmá-los (na fita, eles mesmo dão alguns depoimentos de grande força emocional. Um por exemplo recorda um instante onde quase morreu se levantando para filmar um soldado japonês e não sabe como ele não atirou). Há também imagens líricas. Outras tão chocantes que não são recomendadas a qualquer um. Basta dizer que o filme é indispensável para quem se interessa por cinema ou História. Faz parte da Coleção Segunda Guerra Mundial, da Paramount, junto com a edição especial de "O Resgate do Soldado Ryan - 60 anos do Dia D" e outro documentário, "O Preço da Paz".

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