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Ficha completa do filme

Comédia,Romance

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema 01/01/2002
Nota 4

Promovido pela Miramax como o filme estrangeiro obrigatório do ano de 2001 (nos Estados Unidos), "Amélie" foi um autêntico fenômeno de bilheteria na França, indicado oficialmente para o Oscar de Fita Estrangeira (embora a Miramax tivesse pretensões até de vê-lo entre os cinco finalistas da categoria geral). Mas exageraram (e "Terra de Ninguém", da Bósnia, que foi o vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro do ano).

Mas, sem dúvida, é uma fita bonitinha, simpática, divertida. Mas pouco mais do que isso. Foi realizada pelo francês Jeunet que, com o parceiro Marc Caro, fez "Delicatessen" e sozinho realizou nos EUA o "Alien 4". É basicamente um estilista, dedicado à forma. E aí está o problema.

"Amélie" é pura forma, puro visual, pouco conteúdo. Mostra uma Paris e uma França de exportação (mas ao mesmo tempo é extremamente francês a ponto de eu achar que os que não conheciam o país e o povo não irão sacar muitas coisas. No final das contas, todo mundo entendeu e curtiu). A ponto de terem eliminado na pós-produção todos os vestígios de sujeira, excesso de trânsito, pobreza.

Ou seja, é puro conto de fadas, levado ao extremo. Nada contra, mas o excesso acaba me incomodando um pouco. Então gostar do filme ou se apaixonar por ele vai depender um pouco de sua pré-disposição para esse tipo de fita (ou seja, não é de arte, é potencialmente comercial).

É um acerto a escolha da atriz principal, a jovem e até então pouco conhecida Audrey Tautou (esteve no filme "Instituto de Beleza"). Uma figura encantadora que faz a heroína Amélie, uma espécie de "Emma" moderna. Ela gosta de unir pessoas, servir de cupido, realizar sonhos alheios. Só que o processo que ela escolhe é extremamente complicado e cheio de redemoinhos.

Por exemplo, ela fica intrigada com um sujeito que parece recolher fotos estragadas de máquinas automáticas de estações ferroviárias (o que a levará a ter um romance com Kassovitz). Ajuda a aproximar a caixeira de um bistrô com um freguês. Tenta auxiliar o ajudante de uma quitanda. Encontra uma caixa de lembranças infantis e tenta encontrar o dono.

E até o próprio pai encontra um jeito de deixá-lo intrigado. O fato é que a fita conta tudo isso de uma maneira charmosa, com trilha musical adequada (raramente um cineasta francês soube mostrar tão bem sua cidade), mas está longe de ser um grande filme. Para o meu gosto particular, amaneirado demais.

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