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Ficção Científica

Star Wars: Episódio 3 - A Vingança dos Sith (2005)

Resenha por Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema 08/11/2005
Nota 1

Este final de trilogia é bem melhor do que os episódios anteriores, que parecem supérfluos e infantilóides. "A Vingança dos Sith" Agradou aos fãs que ficaram encantados em ver todos os detalhes cobertos e resolvidos. Mas não funciona para o espectador comum.

Fiquei impressionado como os fãs não percebem os defeitos óbvios e imperdoáveis, o maior deles sendo a performance constrangedora e patética de Hayden Christensen no papel central. Por causa dele, o filme nunca ganha a dimensão dramática que pretendia. Dá mesmo vontade de desejar que George Lucas tivesse usado efeitos digitais para melhorar a cara inexpressiva do ator. De qualquer forma, é um furo no centro do filme que não compensa suas outras qualidades.

O importante é que aqui George Lucas tem uma história a contar. E o faz com sua habitual falta de sutileza, com mão pesada para dirigir atores. Todos, mesmo os consagrados, parecem dispersos ou errados, seja Ewan McGregor (novamente inexpressivo) ou mesmo o inabalável Samuel L. Jackson. Alguns simplesmente não conseguem falar, como Jimmy Smits, e, em particular, Christensen, que não consegue dar inflexão aos momentos mais dramáticos ou fortes. Não bastasse a cara de nada, a voz do ator é inadequada.

Salvam-se com boa vontade o clássico Christopher Lee (nos poucos minutos em que aparece) e algumas cenas com Ian McDiarmid, que faz o supervilão Palpatine e que por vezes consegue mostrar que é um ator shakespereano de experiência e tradição.

Por falar nisso, é Shakespeare quem faz falta nos diálogos que são banais, apesar de as situações serem fortes. Para ser justo, há dois momentos curiosos. Um deles é quando Natalie Portman fala sobre os governantes e diz que suspeita de que a República está traindo seus princípios (parece uma referência clara ao atual governo Bush). A outra é quando, na luta na lava (que infelizmente lembra "O Senhor dos Anéis"), Anakin e Obi Wan discutem sobre quem traiu quem, e o primeiro diz que tudo é uma questão de ponto de vista e que os Jedis devem ser os traidores.

Há também a falta de progressão dramática da mudança de Anakin para Darth Vader, já que, por mais que ele possa ter razões, nunca se justifica bem sua crueldade, a ponto de matar criancinhas, quando seria óbvio que a mulher ficaria contra ele, afinal, ele é um sábio Jedi. Ou seja, nem mesmo a história é bem contada.

Por outro lado, incomoda o excesso de detalhes dos cenários (será que nem em tempo de guerra o tráfego do terraço dos heróis não tem seu trânsito incessante interrompido?). A razão por que o público gosta menos deste "Episódio 3" não é pelo fato de ele ser mais dark ou trágico que os anteriores, mas porque há menos ação (sempre com cara de videogame), e só mesmo fã acha graça no herói virar bandido, mesmo que que isso tenha demorado mais de 20 anos.

Será nostalgia afirmar novamente que a primeira trilogia é melhor? Que tudo era mais divertido? E eis a palavra-chave: "fun". Os filmes recentes de Lucas não tem graça, não são bons de ver porque o diretor não tem o menor senso de humor. O público ri apenas quando Yoda derruba os dois guardas. Aliás, mais uma vez, esse boneco criado digitalmente consegue ser a figura mais humana e sensível do filme, o único a provocar alguma emoção - nem mesmo as lutas finais são especialmente notáveis.

Passado o primeiro impacto, o filme e a trilogia serão vistos como apenas uma forma de Lucas fazer mais dinheiro com merchandising. No futuro, toda a saga vai parecer redundante e medíocre, mesmo as referências ao lado Negro da Força nunca foram expandidos além de seu sentido original.

"A Vingança dos Sith" saiu antes em edição simples para locação, e agora em disco duplo para varejo com o documentário "Em um Minuto" (sobre o processo de filmagem), featurettes "O Escolhido" (Anakin se transforma em Darth Vader), "É Tudo Verdade" (treinamento para as batalhas); making of (15 documentários feitos para a Internet), seis cenas excluídas (com introdução de George Lucas e Rick McCallum), montagem escondida, clipe de "A Hero Falls", trailers e teaser, 15 comerciais de TV, galeria de fotos, pôsteres de cinema e da campanha publicitária por todo o mundo, DVD-ROM, trailer e demo do videogame para Xbox.

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