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24/08/2006 - 14h35
"Miami Vice", com Colin Farrell e Jamie Foxx, pode decepcionar fãs da série; veja fotos e trailer

Divulgação

Jamie Foxx e Colin Farrell em Miami Vice, de Michael Mann

Jamie Foxx e Colin Farrell em Miami Vice, de Michael Mann

Por Michael Rechtshaffen

HOLLYWOOD (Hollywood Reporter) - Essa versão para o cinema de "Miami Vice" corre o risco de decepcionar os fãs do seriado que tão bem definiu a década de 1980. Não há os famosos ternos em tons pastel que vestiam o ator Don Johnson, nem a noite encharcada de néon que desempenhava um papel tão importante na história.

Em seu lugar, o filme de Michael Mann, que estréia nesta sexta-feira, traz um produto mais sombrio e duro que, embora se beneficie consideravelmente da direção fotográfica de Dion Beebe, é frustrantemente inerte -- uma excursão longa e verborrágica que não consegue seduzir o espectador.

Quem for ao cinema pensando encontrar um pouco da velha camaradagem entre os detetives Ricardo Tubbs e Sony Crockett vai se decepcionar com a versão criada por Jamie Foxx e Colin Farrell, na qual os dois atores parecem disputar um concurso para ver quem ostenta expressão mais sombria gastando o mínimo de energia. Talvez isso tenha a ver com o calor de Miami... de qualquer forma, o resultado são diálogos chochos e cenas lânguidas.

Ao atualizar o seriado, que ficou no ar entre 1984 e 1989, o roteirista e diretor Mann não se restringiu ao cenário colorido de South Beach, aventurando-se em águas mais turvas nesta história em que os policiais antinarcóticos à paisana Sonny Crockett (Farrell) e Ricardo Tubbs (Foxx) combatem traficantes internacionais sinistros.

Mergulhando num mundo de cartéis sofisticados, os dois enfrentam capangas da Irmandade Ariana e uma linda, mas durona, lavadora de dinheiro sino-cubana (representada pela nem sempre fácil de compreender Gong Li).

O problema é que o roteiro de Mann não pára de atrapalhar a sua direção. "Miami Vice" segue a deixa estilística do trabalho anterior do cineasta, "Colateral". Mas enquanto aquela trama noturna passada em Los Angeles conseguia aumentar a tensão com eficácia, o longa mais recente apenas tem essa pretensão. Inúmeras sequências potencialmente explosivas acabam paradas no ar, como a umidade da Flórida.

Os diálogos desajeitados -- que mais parecem fragmentos de sentenças fazendo as vezes de diálogos -- também não ajudam os atores, especialmente aqueles para os quais o inglês é sua segunda língua. E Foxx e Farrell não conseguem gerar uma química convincente como dupla, nem mesmo quando atuam em silêncio.

Mann amplia o cenário para incluir escalas no Uruguai, Paraguai e República Dominicana (que faz as vezes de Haiti), mas, apesar da intriga cosmopolita, "Miami Vice" não vai a nenhum lugar interessante. Até mesmo a música, que desempenhava papel tão importante no seriado de televisão, decepciona no filme. Na ausência do tema original ritmado de Jan Hammer, a trilha anônima do compositor John Murphy e as colaborações musicais de gente como Moby e Audioslave não conseguem alcançar o nível atmosférico de "In the Air Tonight", de Phil Collins, ouvida no filme em cover pouco inspirado de Nonpoint.

As roupas monocromáticas e sombrias criadas para Tubbs e Crockett pelo figurinista Janty Yates condizem com o tom mais intransigente do filme. Mas simplesmente não parece "Miami Vice" sem aqueles imortais paletós esporte azuis ou verde-limão.


31/01/2013