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30/11/2006 - 13h14
"Feliz Natal" é filme comovente com lembranças da guerra

Divulgação

Diane Kruger interpreta Anna Sorensen

Diane Kruger interpreta Anna Sorensen

HOLLYWOOD (Hollywood Reporter) - É estranho pensar que um punhado de soldados britânicos, franceses e alemães na linha do front da 1a Guerra Mundial pudessem ter previsto a harmonia entre esses três países que só seria alcançada perto do final do século 20.

Na véspera do Natal de 1914, oficiais e soldados que diariamente massacravam uns aos outros desde trincheiras distantes apenas 100 quilômetros umas das outras depuseram suas armas para compartilhar vinho e comida, trocar fotos e recordações e ainda disputar uma partida de futebol na neve.

Foi um ato extraordinário de generosidade e humildade humana, embora, mais tarde, os oficiais superiores dos soldados o tivessem interpretado como confraternizar com o inimigo e os tivessem feito pagar por isso.

Com um elenco de atores escoceses, alemães e franceses, todos falando suas próprias línguas, o roteirista e diretor Christian Carion de "Feliz Natal", que estréia nesta sexta-feira, criou um filme profundamente comovente e enaltecedor que deverá encontrar um público que o aprecie em todos os países.

Isso não significa que o filme seja excessivamente sentimental, mas apenas que, quando homens dilacerados pela guerra e que enfrentam o inferno mais sombrio que se possa imaginar se apertam as mãos, sorriem e cantam ao som de gaitas de fole, apenas o espectador mais inflexível conseguirá deixar de derramar lágrimas.

As histórias de guerra frequentemente são bizarras, e parece que a 1a Guerra Mundial rendeu algumas das mais estranhas delas. O roteiro de Carion traça retratos rápidos de seus personagens, que em pouco tempo adquirem forma plena. Há cenas de grande bravura, decência simples e humor extraordinário.

Do lado alemão, há um tenor famoso chamado Sprink (Benno Furmann) que é convocado para ser soldado raso. Sua mulher, Anna Sorensen (Diane Kruger), organiza um recital para um aristocrata prussiano perto da linha do front, apenas para poder revê-lo.

Do lado britânico, há os irmãos Jonathan (Steven Robertson) e William (Robin Laing) que se alistam na guerra, acompanhados, para surpresa deles, pelo padre de sua igreja, Palmer (Gary Lewis), que se torna carregador de macas.

Os franceses são liderados por um tenente talentoso chamado Audebert (Guillaume Canet), cujo oficial superior é seu pai, o general Français (Bernard le Coq), e cuja mulher grávida está atrás das linhas inimigas.

"NOITE FELIZ"

Os três Exércitos enviam bebidas e brindes a seus homens no front para lhes proporcionar uma espécie de Natal tristonho. Os alemães recebem 100 mil árvores de Natal, completas com luzinhas e enfeites.

O padre Palmer desencadeia o fato inusitado ao começar a tocar gaita de fole, sendo que os escoceses começam a cantar junto. Então Sprink, que levou sua mulher à trincheira para cantar para seus companheiros, responde cantando "Noite Feliz", e Palmer o acompanha. Palmer então entoa outro hino de Natal, que Sprink começa a cantar, e então, colocando uma árvore de Natal em cima da trincheira, ele próprio sobe para o alto dela, colocando-se em risco como possível alvo de tiros.

Ninguém dispara, e em pouco tempo a trincheira se ilumina com inúmeras árvores de Natal. Os homens de todos os lados saem das trincheiras e se cumprimentam.

O episódio foi retratado de maneira breve, mas brilhante no épico de Richard Attenborough "Oh! Que Bela Guerra!", de 1969, e o filme de Carion, rodado e representado com grande beleza, mostra a história com muito mais detalhes, tornando-a ainda mais memorável.


31/01/2013