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30/07/2007 - 11h45
Conheça a biografia do cineasta Ingmar Bergman

EFE

Diretor e roteirista Ingmar Bergman morreu em sua casa, na ilha de Faro, no mar Báltico

Diretor e roteirista Ingmar Bergman morreu em sua casa, na ilha de Faro, no mar Báltico

ESTOCOLMO (Reuters) - Considerado por alguns críticos como o maior cineasta da história, Ingmar Bergman exorcizou sua infância traumática por meio de obras-primas do cinema que exploraram a ansiedade sexual, a solidão e a busca por um sentido na vida.

Bergman morreu na segunda-feira, aos 89 anos de idade.

Numa carreira que cobriu meio século e durante a qual ele criou mais de 50 filmes e 125 produções teatrais, Bergman tornou-se a mais aclamada personalidade cultural da Escandinávia.

Filmes como "Morangos Silvestres", "Cenas de um Casamento" e seu grande clássico "Fanny e Alexandre" o elevaram à condição de um dos maiores mestres do cinema, mas conferiram à Suécia, seu país, a fama de melancólica.

Sua vida privada o levou a ser alvo da atenção pública em vários momentos. Bergman teve cinco casamentos com mulheres belas e talentosas, além de várias relações amorosas com suas atrizes principais.

Ele influenciou dezenas de cineastas, incluindo Woody Allen, que o idolatrava e que homenageou "O Sétimo Selo", um dos clássicos do cineasta sueco, com sua comédia "A Última Noite de Boris Grushenko."

Numa homenagem feita a Bergman no 70o aniversário deste, Allen disse: "Sobretudo há Ingmar Bergman, que, tudo considerado, é provavelmente o maior artista do cinema desde a invenção da câmera cinematográfica."

INFÂNCIA DIFÍIL

Ernst Ingmar Bergman nasceu em Uppsala, Suécia, em 14 de julho de 1918. Seu pai, pastor luterano que tornou-se capelão do rei da Suécia, costumava humilhar e surrar Ingmar, uma criança doente.

Bergman falou várias vezes do amor profundo que nutria por sua mãe, de seu hábito de refugiar-se em fantasias e de seu gosto pelo macabro.

Críticos atribuem os temas de repressão, culpa e castigo, constantes em sua obra, à educação rígida que o diretor teve em sua infância.

Em entrevista rara concedida em 2001, Bergman disse à Reuters que durante toda sua vida ele foi atormentado e inspirado por demônios pessoais. "Os demônios são inúmeros, aparecem nos momentos mais impróprios e geram pânico e terror", disse ele na época. "Mas já aprendi que, se consigo controlar as forças negativas e atrelá-las a minha carruagem, elas podem trabalhar em meu benefício."

Nunca o vínculo autobiográfico ficou mais claro que em "Fanny e Alexandre", que Bergman afirmou ser sua grande final como cineasta. Produzido em duas versões, de três e de cinco horas, o filme recebeu quatro Oscar em 1984, um deles de melhor filme em língua estrangeira.

"Fanny e Alexandre" é um panorama detalhado de uma família de classe alta de Uppsala nos anos que antecederam a 1a Guerra Mundial. O garoto Alexandre, 10 anos, e sua irmã Fanny, 8, são mental e fisicamente abusados por seu padrasto, o bispo local, inspirado no pai de Bergman.

O tímido e fraco Alexandre usa poderes sobrenaturais para vingar-se de seu padrasto de maneira sinistra.

Em seus últimos anos de vida, Bergman dedicou-se ao trabalho de palco no Real Teatro Dramático de Estocolmo, demonstrando preferência por obras teatrais clássicas.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

O reconhecimento internacional pleno chegou para ele com "O Sétimo Selo", de 1956, ambientado na Idade Média em tempo de peste negra e mostrando um cruzado à procura de Deus e do sentido da vida que joga xadrez com a morte. O filme recebeu o prêmio do júri do Festival de Cannes em 1957.

Nos dez anos seguintes Bergman criou "Morangos Silvestres", "O Silêncio" -- que incluiu uma cena sexual forte que provocou um choque com a censura sueca --, "A Fonte da Donzela" e "Através de um Espelho." Os dois últimos receberam o Oscar de melhor filme em língua estrangeira.

Homem esguio, com nariz adunco e hábito de vestir roupas folgadas, Bergman não era bonito pelos padrões convencionais, mas as mulheres se sentiam atraídas por ele.

Suas quatro ex-esposas, entre as quais uma dançarina, uma diretora e uma pianista, continuaram a elogiá-lo depois de separadas dele, como também faziam as atrizes com as quais ele teve romances, entre elas a norueguesa Liv Ullmann, sua companheira no final dos anos 1960.

Sua quinta esposa foi a elegante condessa Ingrid von Rosen, com quem se casou em 1971 e que se tornou sua empresária. O cineasta teve nove filhos: quatro meninos e cinco meninas.

Em janeiro de 1976 ele foi preso durante um ensaio do Real Teatro Dramático por policiais à paisana, que o levaram para ser interrogado sobre suposta sonegação de impostos.

Ele não chegou a ser formalmente acusado, mas a humilhação que sentiu o levou a sofrer um colapso nervoso. Condenando publicamente à burocracia sueca, ele deixou seu país para viver um longo exílio artístico em Munique.

Em 1984 Bergman retornou ao Real Teatro Dramático com uma versão aclamada de "Rei Lear." No ano seguinte ele pôs fim a seu exílio auto-imposto e passou a produzir uma sequência de obras clássicas no teatro nacional. Sua última produção cinematográfica foi "Saraband", um drama familiar feito para a televisão em 2003, altamente elogiado.

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