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17/10/2007 - 19h25

"Estou 'ficando' com Ricelli há 30 anos", diz Bruna Lombardi no BP UOL

Da Redação
O Bate-papo com Convidados UOL recebeu na tarde desta quarta (17) Bruna Lombardi. Atriz, roteirista, escritora e produtora, Bruna afirmou que está apenas "ficando" com seu parceiro profissional e pessoal Carlos Alberto Ricelli há 30 anos. "Acredito que essa idéia de que o tempo não importa ajuda muito. Assim, não há cobrança, nem rotina e fica possível manter a chama da vida. Digo isso em relação a tudo; casamento, trabalho, beleza..."

Aliás, como faz para manter a boa forma e o que pensa do processo de envelhecimento foram algumas das questões levantadas pelos internautas. Simpática, a atriz afirmou que "envelhecer é a melhor das opções. Afinal, a outra é não estar viva".

A roteirista e protagonista de "O Signo da Cidade", longa que terá exibições especiais na 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, comentou como foi seu laboratório para compor a astróloga Teresa -personagem que liga todas as histórias da trama-, elogiou o trabalho de todo elenco do filme, divulgou seu e-mail pessoal para que sua relação com os fãs fique ainda mais próxima, reverenciou nomes do atual cinema brasileiro e disse apoiar toda e qualquer concorrência.

"A concorrência é ótima. Ganha quem é melhor. Isso é liberdade, e das liberdades, quero todas", concluiu.



Leia a seguir a íntegra do bate-papo que contou com a participação de 1145 internautas.

(05:06:34) Bruna Lombardi: É super bom estar aqui...

(05:08:55) Marcelo Tas: O nome do filme Signo da Cidade é uma referência a sua personagem, uma astróloga. Ou seja, o signo do título é o signo do zodíaco? Qual seria o signo de SP?
(05:09:49) Bruna Lombardi: Ainda não é uma estréia, só está passando na mostra, serão cinco sessões, sendo duas gratuitas. Só irá estrear em janeiro. O "O Signo da Cidade" fala das histórias da cidade de São Paulo, um filme que entra nas janelas dos apartamentos e conta histórias. Está idéia de contar e ouvir histórias é uma necessidade que vem desde as cavernas. Eu sou a Teca, uma astróloga que tem um programa de rádio, começa a se envolver com todas estas histórias que vão se entrelaçando. São Paulo é a protagonista deste filme, está muito presente. Qualquer que seja o seu signo, qualquer que seja a sua vida você sofre uma super influência desta cidade e a solução para tudo isso é a solidariedade. É uma cidade tão dura e nós somos tão inevitavelmente sozinhos que temos que estar interconectados.
(05:14:55) Bruna Lombardi: O filme tem várias histórias e vários personagens com muitas camadas e muitas leituras. E todos se conectam, entrelaçam. Quem quiser ver o trailer entre no site: www.osignodacidade.com.br. Uma novidade em primeiríssima mão para quem quiser falar comigo é só escrever para bruna@osignodacidade.com.br. Esta comunicação direta com o público é porque o filme está causando uma forte emoção nas pessoas, nem imaginávamos que iria acontecer isso. A reação tem sido muito louca. Nós vamos fazer vários lances de envolver as pessoas no filme quem quiser participar, além de concursos, viagens...
(05:17:09) Bruna Lombardi: O Juca (de Oliveira) está estraordinário, o máximo. É um grande elenco. Tem a Graziella Moreto, a Denise Fraga, o Luiz Miranda, a Eva Wilma...

(05:16:35) Marcelo Tas: Esse não é a primeira obra da dupla. A primeira, de 2005, atendia por um nome bem curioso: "SOS - Stress, Orgasm and Salvation". A Bruna foi a roteirista. Isso é uma seqüência cronológica, Bruna, primeiro o Stress, depois o Orgasmo e enfim a Salvação?
(05:10:57) Bruna Lombardi: No filme é super cronológico, as pessoas vão passando por estágios. É um filme cheio de humor e tem o seu drama. Foi rodado em Los Angeles e em 2008 vai estrear aqui.

(05:17:55) Marcelo Tas: Qual sua rotina na meca do cinema?
(05:18:58) Bruna Lombardi: Não temos uma rotina nem aqui nem lá. É uma vida muito em função do que estamos fazendo. Para ter as idéias, desenvolver e visualizar... Qualquer filme envolve no mínimo 300 pessoas todos os dias e direta e indiretamente quase mil. Cada dia é uma vida, as pessoas mexem de acordo com o que estão fazendo no dia-a-dia. A minha vida também é assim.

(05:15:59) Geovanna/UOl:

Bruna Lombardi conversa sobre o filme "O Signo da Cidade" (Priscila Gomes/UOL)

(05:18:42) Marcelo Tas: Vai ser inevitável a pergunta dos internautas então deixa eu adiantar: você tem planos para a TV? Novela ou programa de entrevistas, como o Gente de Expressão que você fez durante vários anos?
(05:19:48) Bruna Lombardi: Por causa deste filme fomos obrigados a recusar alguns papéis de televisão que eram legais. Gostaríamos de ter feito, mas não dava. Assim que terminar este tumulto todo do filme voltaremos para ver as coisas que estão por aí.

(05:18:46) Antonio Francisco: Sempre gostei do seu lado escritora e li todos os livros, inclusive o infantil. Tem alguma previsão para novos lançamentos em poesia?
(05:22:44) Bruna Lombardi: Antonio Francisco, tenho sim. Fico contente que você goste do trabalho. Até fico surpresa, pois poesia parece ser uma coisa tão pequena, parece que está escrevendo para você mesma. Também com os blogs de poesia. Eu quero que vocês falem comigo em bruna@osignodacidade.com.br. A coisa linda da poesia é que ela vai e se solta. A sua função é tão linda, ao mesmo tempo que é para ninguém também é para todos. Eu fui uma adolescente que lia Drummond, Vinicius, O. Mendes. De repente estou criando o próximo elo de uma nova corrente e esta corrente continua.
(05:23:58) Bruna Lombardi: Um dos temas do meu filme é o preconceito. Acho que isto não está com nada. É uma das coisas mais burras e cruéis quanto a sentimento. Mas eu não sinto na pele, para mim seria uma coisa tão bobinha. Mas neste país existem preconceitos tão fortes que as pessoas sentem na pele mesmo.

(05:19:36) nicolli: Quanto tempo levou para que você concluísse e adorasse seu roteiro?
(05:24:47) Bruna Lombardi: nicolli, levou mais de um ano de trabalho. Quando começo a escrever, estou sempre escrevendo. Escrever, mesmo envolvendo outras pessoas, é um ato solitário.

(05:21:24) carola: Bruna, o filme é uma produção quase familiar, se assim podemos dizer... como foi trabalhar com seu filho? É o primeiro trabalho dele no cinema??
(05:27:51) Bruna Lombardi: carola, ele foi assistente de direção e é super bom diretor. Tem a manha de ser diretor, foi uma delícia trabalhar com ele. Também ajudou no "SOS...", trabalhamos sempre em trio. O Caetano gravou uma canção para o filme e a Bethania também, mas não deu tempo de ser lançado.

(05:21:34) Tato: Bruna boa tarde, em que momento de sua vida vc se descobriu como autora ?
(05:30:20) Bruna Lombardi: Tato, eu sempre escrevi, desde menina. Quando comecei a escrever, literalmente, eu comecei mesmo. Nas escola as meninas pediam para eu escrever dissertações para elas e em troca ganhava lanches. Estudei no Dante Alighieri. Eu sou fã dos professores do Brasil. Quero fazer um projeto com este filme para dar entrada gratuita para os professores.

(05:24:29) Dona Beija: Vc é das mulheres mais lindas do país. Sempre foi. E teve tb mtos papéis marcantes. É difícil se desvencilhar da imagem de alguns personagens? É chato ser reconhecida pra sempre/apenas por algo que passou?
(05:32:11) Bruna Lombardi: Dona Beija, é engraçado que eu sempre fui bem seletiva em minha vida. Tanto que eu poderia trabalhar mais do que eu trabalho porque quando eu mergulho em um personagem sou muito apaixonada, tenho que mergulhar com todo o meu ser, senão não consigo ir. De todos os personagens que eu fiz foi um grande mergulho. Com o Diadorim do "Grande Sertão Veredas" foi assim.

(05:27:39) Cris Hane: Bruna, eu adorava aquele seu programa de entrevista, será que não poderia voltar? Adorei a entrevista com o ator Dustin Hoffman.
(05:32:49) Bruna Lombardi: Cris Hane, eu também adorei. Obrigada. Voltar não dá porque aquele período já foi, fiz até onde poderia fazer. Então agora vá ver os nossos filmes.

(05:28:06) Rosa: Qual o segredo pra ter um casamento tão duradouro?
(05:35:21) Bruna Lombardi: Rosa, nem sei dizer porque acontece esta continuidade. Acho que está legal enquanto está. Na verdade eu nem me casei pela igreja. Fomos ficando enquanto estava bom e sempre achamos que na hora que não estivesse legal iria cada um para um lado numa boa. Sempre achamos isso. Tenho uma frase: "Se a paixão há de ser provisória que seja louca e linda a nossa história". Talvez seja assim. Então, pensando nesta grande diversão do universo, eu estou ficando com o Riccelli.

(05:23:44) Geovanna/UOl:

Bruna Lombardi fala sobre o filme "O Signo da Cidade" que participa da Mostra de SP (Priscila Gomes/UOL)

(05:31:19) FAFÁ: Oi Bruna! O tempo parece que não passa para você! Qual o segredo da sua eterna beleza?
(05:37:27) Bruna Lombardi: Fafá, outra coisa bem provisória. Não tem nada mais passageiro do que isso. Todo mundo quer estar bonito. A palavra entusiasmo quer dizer em grego que tem Deus dentro, ter o fogo de Deus. Então o entusiasmo não pode morrer, tem que manter esta chama acesa. Quanto a beleza, a mulher se encana demais, mas a graça é o marido/namorado chegar quando ela estiver assim e dizer que ela está linda, maravilhosa, gostosa... Isso é muito bom...

(05:31:23) Flavio Carioca: Você que sempre foi uma mulher bonita, como é envelhecer para você? Eh um processo fácil, natural ou sofrido?
(05:39:07) Bruna Lombardi: Flavio Carioca, envelhecer é a melhor das opções. Temos que ir aceitando todas estas idades e ir tirando o que há de melhor delas. É mais difícil aceitar a doença, a coisa da degradação física. Inclusive este tema está no filme com o personagem do Juca de Oliveira que está lutando com vida em uma cama de hospital. O que fizemos para dar a volta foi o humor, este sempre permanece. O "Signo da Cidade" tem vários dramas e tem uma busca de compreensão e compaixão com estes dramas. Mas tem vários momentos de humor também.
(05:40:52) Bruna Lombardi: Quero todos vocês em meu site falando comigo...

(05:33:21) Boom: Bruna, na sua opinião quem são os grandes nomes do cinema nacional?
(05:44:00) Bruna Lombardi: Boom, tem muitos. Estamos em um grande e forte momento do cinema brasileiro. Estou muito feliz com este momento. O Fernando Meirelles deu uma virada do cinema moderno brasileiro para o mundo. Eu moro em Los Angeles e tenho um contato com o cinema muito forte. A posição que o Fernando Meirelles ocupa no mundo é única, ele é considerado um dos dez maiores diretores do mundo. O Walter Salles faz um papel excepcional e tem uma grande projeção. Ele busca o pequeno, busca esta coisa independente e pequena fazendo o que ele quer. O "Tropa de Elite" é um grande momento do cinema. A pirataria até ajudou. É uma obra de ficção muito bem escrita.

(05:34:03) Son: Bruna, retomando a literatura, você foi amiga de Caio Fernando Abreu? Como foi essa amizade?
(05:46:15) Bruna Lombardi: Son, ele é uma figura super forte em minha vida. Tivemos muitas e muitas vezes muito próximo. Em meu livro "Perigo do Dragão" tenho uma poesia que dedico a ele, sobre estas conversas dos anos 80, algumas ideologias que vão se quebrando enquanto avançamos. A arte é cíclica, nunca morre e vai sendo redescoberta.

(05:36:34) joana: Como é ver dos EUA essa nova fase do cinema nacional? O Brasil tá mesmo bem na fita por lá?
(05:47:40) Bruna Lombardi: joana, por acaso, com estes dois cineastas que citamos e o Padilha que está super bem nos EUA. O "Tropa de Elite" com certeza vai bombar nos EUA e no mundo inteiro. O Fernando Meirelles já projetou o Brasil pra fora e com certeza vai continuar e o Walter Salles a mesma coisa.

(05:40:26) silvio: Como foi escolher o elenco para o filme? Vi que tem alguns talentos de uma geração relativamente nova e fico imaginando como vcs chegaram nesses nomes já que moram fora do país há tanto tempo...
(05:49:42) Bruna Lombardi: silvio, eu escrevi já pensando na Graziella, no Luiz Miranda e a na Denise Fraga. O Luiz Miranda é um enfermeiro. Tem personagem mais forte que um enfermeiro? É um herói anônimo, ninguém fala deste cara. São estes personagens que quero mostrar, os heróis invisíveis que ninguém fala.

(05:45:04) andrei - rs: Para fazer o papel de astróloga você fez um laboratório. Como foi essa experiência?
(05:51:30) Bruna Lombardi: andrei - rs, nunca consultei antes. Mas depos consultei com o Oscar Quiroga e a Lydia Vainer. Fiz laboratório com eles e acabei estudando. Eu sou leão... Quando comecei a entrar neste mundo vi que isto é necessário, muito bom.

(05:41:16) Geovanna/UOl:

Marcelo Tas recebe Bruna Lombardi no Bate-papo UOL (crédito: Priscila Gomes/UOL)

(05:42:52) Ezí Melo: Olá Bruna! Estava sentindo sua falta nas telas... o que vc andava fazendo antes deste filme?
(05:52:09) Bruna Lombardi: Ezi Melo, antes deste filme eu estava fazendo outro filme: "SOS - Stress, Orgasms, and Salvation" todo filmado em Los Angeles e com muito humor.

(05:45:59) Flavio Carioca: Bruna, seus olhos são lindos. Sempre foi um PRÊMIO vê-los nas telas. Você pode tirar os óculos para nós?
(05:52:40) Bruna Lombardi: Flavio Carioca, é que a luz é tão forte e meus olhos são claros. Mas tiro só um pouquinho...

(05:46:33) fâ_Taubaté: Caio Fernando de Abreu já teve alguns contos roteirizados, vc nunca pensou em trabalhar em um conto ou livro dele? Roterizar?
(05:52:50) Bruna Lombardi: fâ_Taubaté, nunca pensei...

(05:48:38) silvio: Bruna Patrícia Maria Teresa Romilda Lombardi ... vc tem mesmo todos esses nomes? (risos) como isso aconteceu?
(05:54:05) Bruna Lombardi: Silvio, agora que eu percebi que usei um personagem com o meu nome: Teresa. É uma absurdo esquecer como me chamo. Mas tenho mesmo todos estes nomes. Foi uma homenagem que meus pais fizeram a meus avós.

(05:53:06) Lucca: Boa tarde, Bruna! A TV brasileira é, sem dúvida, referência mundial. No entando, poderia ser utilizada de maneira bem mais responsável do ponto de vista social. Qual sua posição em relação a essa realidade e qual a sua ligação com a TV hoje?
(05:56:01) Bruna Lombardi: Lucca, no momento não estou ligada a TV porque estou fazendo cinema. Pedi para parar o meu contrato e não achei justo ficar contratada e fazer outro trabalho. Esta conscientização está sendo muito frutífera. Todo mundo está falando disso, o Brasil tem um poder a nossa maneira. Não é de guerra nem confronto. Tiramos um presidente de uma maneira pacífica, um presidente que foi um horror. Vivemos um momento com problemas e que necessita de uma conscientização maior.
(05:57:07) Bruna Lombardi: Sobre a TV: Já fui sondada e me ofereceram para ser protagonista de uma grande novela, mas não acho justo porque estou fazendo este outro trabalho. A concorrência é uma coisa boa para todos porque gera mais empregos e quem vencerá é aquele que cuida melhor do seu produto. Eu sou da liberdade e desta eu quero todas.

(05:54:44) taca: Você tem medo das críticas depois do "SOS", que não foi bem aceito na Mostra? (não sei se 29ª ou 30ª)
(05:58:33) Bruna Lombardi: taca, eu nem vi estas críticas, me alienei. Quem faz um trabalho não pode temer crítica. A pessoa que teme crítica não se mexe. Tem que jogar e apanhar faz parte do jogo. Mas o público tem que ver de onde vem a crítica. Se vier de alguém que esteja querendo que este trabalho melhore e diga para o público onde ele deve melhorar é muito bom. E quando vem de um sentimento ou de uma frustração é melhor ignorar e não levar em conta.

(05:57:02) Boom: Bruna, já pensou em ensinar? Dar aulas de roteiro, por exemplo?
(05:59:27) Bruna Lombardi: Boom, nunca dei aula, mas gosto de conversar. Quando fiz um debate popular vi como é bom conversar com o povo. Por isso entrem em meu site e me escrevam.
(06:01:11) Bruna Lombardi: Obrigada... um beijo... adorei estar aqui...

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