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26/07/2009 - 00h33

O Homem de Ferro é o novo James Bond, diz o diretor Jon Favreau

ALESSANDRO GIANNINI*
Editor de UOL Cinema
Jon Favreau despontou como ator em 1996, com um filme de arte, uma comédia dramática sensível, de baixo orçamento, sem efeitos especiais. Treze anos depois de "Swingers", ele continua fazendo cinema, mas hoje está à frente de uma das franquias - como os iniciados chamam as séries cinematográficas - mais rentáveis da indústria americana e da nova tendência de se adaptar super-heróis dos quadrinhos para a tela grande. Diretor do primeiro "Homem de Ferro", ele volta na sequência marcada para estrear no Brasil em 30 de abril de 2010.
  • Divulgação

    Jon Favreau e Robert Downey Jr. riem do plano que filmaram para "Homem de Ferro 2"

Na visita ao set do filme, da qual UOL Cinema participou no início de julho, Jon Favreau foi o último a falar com o grupo de jornalistas estrangeiros convidados para acompanhar um dia de filmagem. Quando permitiu a entrada do grupo, revelou um grande auditório, local onde acontece o encontro entre o Homem de Ferro e o Máquina de Combate mediado pelo personagem de Sam Rockwell.

Nos intervalos entre uma gravação e outra, os dublês de Robert Downey Jr. e Don Cheadle, atores que vestem as "armaduras" respectivamente do Homem de Ferro e do Máquina de Combate, brincavam de dançar break com o filho de Favreau, Max. Houve até espaço para a música invadir o ambiente e uma pequena homenagem a Michael Jackson, com um "moonwalk". "Não sei se ele vai fazer cinema, eu pelo menos não quero influenciá-lo agora", disse o pai. "Esse tipo de brincadeira que fazemos é bom para animar a equipe, especialmente quando temos um dia cheio e com muitos extras."

UOL Cinema - Como você lida com a computação gráfica. Qual é a imagem que você tem na cabeça ou como trabalha com ela?
Jon Favreau - Eu comecei aos poucos. Brinquei um pouco em "Elf", depois fiz um pouco mais em "Homem de Ferro". Tenho usado mais recursos de computação gráfica do que costumava. Não gosto de como costumam ser usados. Há jeitos de usá-los de formas realistas ou falsas. Então, para fazer a computação gráfica parecer real é preciso filmar várias coisas antes para ajudar a parecer real. E nós estamos trabalhando com pessoas no set que já estiveram envolvidas em "Transformers", "Transformers 2", "Homem de Ferro" e têm muita experiência em lidar com este tipo de personagem, superfícies e tipos de animação. Nós temos uma combinação em que às vezes fotografamos e às vezes usamos como referência quando fazemos a computação gráfica.

UOL Cinema - Os filmes dos últimos anos tem sido mais sombrios. Você acha que este é o caminho?
Jon Favreau - Sim, acho que a tendência é ser um pouco mais sombrio. Porque como o herói encara problemas reais, tende a internaliza-los. Mas há uma forma de fazer isso com um tom mais divertido. Quando eu cresci havia os filmes do James Bond. Apesar de esses filmes terem algo de perigoso, também havia muito senso de humor. Tony Stark é quase um James Bond americano, porque agora a série de Bond está indo para um tom mais pornográfico. Ninguém está fazendo mais filmes de ação com humor. E para este tipo de personagem e de filme o humor combina.

  • Divulgação

    Gwyneth Paltrow também está de volta em "Homem de Ferro 2"

UOL Cinema - As pessoas dizem que o fato de você também ser ator ajuda no filme. Você também está no segundo filme?
Jon Favreau - Sim, estou. Eu tive uma pequena participação no primeiro filme com o mesmo personagem, chamado Happy Hogan. Ele é um motorista, ex-lutador de boxe. Eu sou parte do grupo que tem ele, Pepper Potts e Tony. Neste filme eu faço um pouco mais. Eu me envolvo em algumas seqüências de ação, o que é divertido quando você está escrevendo como um ator que terá um papel. Sempre que escrevo alguma coisa me certifico de que seria capaz de fazer ou dizer algo; tento não colocar palavras na boca de outras pessoas que eu não seria capaz de dizer de maneira convincente. Eu acho que sou sensível ao que é uma interpretação e sei o que os atores precisam. Alguns precisam de mais liberdade, outros de mais direção. Gosto de deixar um ambiente divertido e aberto, em que os atores podem trazer seus talentos.

UOL Cinema - Em um filme como este você aceita contribuição dos atores?
Jon Favreau - Sim.

Você vê isso como algo positivo? Como é este processo entre você e Robert Downey Jr.?
Jon Favreau - Robert está em uma categoria diferente por que é um parceiro em todo o processo e esteve envolvido com o roteiro deste o começo. Nós nos encontramos e falamos sobre o assunto e contratei Justin Theroux, que trabalhou com ele em "Trovão Tropical" e de quem ele gosta. E mesmo no primeiro filme, quando era apenas um cara contratado que interpretava o papel, ele se prontificou a ser mais um parceiro e nós reescrevemos cenas - ele é um bom escritor. Então, nós realmente compartilhamos diferentes possibilidades.

UOL Cinema - E os outros atores?
Jon Favreau - Gwyneth é incrivelmente inteligente e tem ótimos instintos. Quando vou escrever para ela penso em sua voz e sempre tento acomodar o diálogo da melhor maneira. Os atores geralmente são bons contadores de histórias e, se eles têm um intuição sobre a cena ou uma linha histórica do personagem, presto muita atenção. Eu estava conversando com Don Cheadle [que substitui Terrence Howard e fará o personagem que incorpora o Máquina de Combate] por que estávamos chegando no fim do seu papel. Tinhamos apenas algumas cenas faltando; tentei aprender algo não apenas do que estava no roteiro mas do que ele tinha feito e agora estou ajustanto o que falta para filmar. A coisa mais legal é saber que a parte mais difícil destes filmes é que o roteiro é um processo. Tende a ser a ultma coisa em que prestamos atenção em comparação a outras preocupações técnicas. É ótimo ter atores que mostram suas intuições e que são muito inteligentes porque ajudam a entender partes específicas da cena.

UOL Cinema - Você poderia falar sobre Scarlett Johansson também?
Jon Favreau - Para ser honesto, quando o nome de Scarlett foi mencionado pela primeira vez, não havia pensado nela para o papel [de Viúva Negra]. Ela tem um tremendo carisma, é uma mulher muito, muito inteligente. Na nossa primeira reunião, vi que ela é muito cativante e madura para a idade. A dedicação e o comprometimento dela me deixaram ensusiasmado. Acho a preparação maníaca que ela fez e como tem transformado seu corpo criando diferentes visuais no filme - muito icônicos, interessantes e sexy - e vê-la em frente às câmeras é fora de série. Perguntei ao meu diretor de fotografia: "O que você está fazendo para iluminá-la?". Ele disse: "Para ser honesto, eu só apontei a luz e este é o jeito que ela aparece, está radiante". Eu não dirijo muito, então, não estou acostumado com isso. Conheço certas pesssoas que a câmera simplesmente ama. Ela tem uma tremenda química com Robert, uma tremenda comunicação com Gwyneth e uma interessante dinâmica no filme, no triângulo que acontece. Ela é uma pessoa generosa e próxima...é legal quando você ouve que os integrantes da equipe gostam de alguém porque eles realmente enxergam a melhor parte. Sou o diretor, todo mundo tende a ser legal comigo. Mas quando a equipe responde tão favoravelmente a alguém, é muito legal. (Tradução: Thaís Fonseca)

* O repórter viajou para os Estados Unidos a convite da Paramount Pictures

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