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27/01/2010 - 16h23

Com "Estrada para Ythaca", filme cearense desponta como favorito em Tiradentes

SÉRGIO ALPENDRE
Colaboração para o UOL, de Tiradentes

A 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes traz, pela terceira vez, a Mostra Aurora, dedicada a longas-metragens de jovens realizadores. Nesta terça-feira (27) pudemos ver sua segunda sessão, e não seria exagero dizer que "Estrada para Ythaca" já desponta como franco favorito a ganhar o troféu de melhor filme.

Assinado por Irmãos Pretti e Primos Parente, trata-se de um manifesto pelo desejo de fazer cinema a qualquer custo, ou a um custo qualquer, com colaboração de amigos e muita ousadia formal. Seu maior mérito é o de nos deixar suspensos, sem saber como será a próxima cena.

Quatro amigos decidem, após longa bebedeira, fazer uma viagem para Ythaca, mas se perdem pelo caminho, onde se desesperam, sofrem, dançam embriagados, desenvolvem laços que fortalecem a amizade e encontram um disco voador (que leva suas barbas?). Repleto de referências propositais - "Vento do Leste" (Godard/Gorin), "No Decurso do Tempo" (Wenders), "A Idade do Ouro" (Buñuel), acrescentam no debate - e involuntárias - "Os Trapalhões na Guerra dos Planetas", LP "Out of the Blue", do Electric Light Orchestra -, "Estrada para Ythaca" se alimenta dessas referências para se afirmar como um digno sucessor do cinema de invenção.

Vale lembrar que o melhor filme da primeira Mostra Aurora (2008), disparado, foi o cearense "O Grão", de Petrus Cariry. Agora, dois anos depois, outro filme do Ceará desponta com louvor. Com menos rigor e apuro estético, mas com uma loucura que entrega o laço que une quatro cabeças que parecem pensar como uma só.

Nos curtas, o ensolarado estado nordestino já deu sinal de talento em duas obras: Petrus Cariry retorna à Mostra com o belo "A Montanha Mágica", retrato de infância registrado pelo pai, Rosemberg Cariry, em algumas imagens de Super 8, e pela câmera lírica de Petrus, num emocionante filme de fluxo de memória de uma tarde em um parque de diversões.

"As Corujas", de Fred Benevides, impressiona pela criação de uma atmosfera de terror, e pelo filtro inusitado com o qual distorce as imagens.

São mais dois exemplos da vitalidade dessa geração de cineastas cearenses. O melhor é que novas amostras devem surgir nos próximos dias. Fiquemos atentos.

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