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09/02/2010 - 07h00

Diretor argentino Adrián Biniez não vê chance para os latinos no Oscar

ALYSSON OLIVEIRA
Especial para o UOL, do Cineweb
  • Adrián Biniez é roteirista e diretor de ''Gigante''

    Adrián Biniez é roteirista e diretor de ''Gigante''

O cinema latino está em evidência no Oscar, com dois concorrentes na categoria de melhor filme estrangeiro: o peruano “A Teta Assustada”, de Claudia Llosa, e o argentino “O Segredo dos Seus Olhos”, de Juan José Campanella. “Gigante”, produção uruguaia, assinada pelo argentino Adrián Biniez, não ficou entre os finalistas – o que não impede que o cineasta comemore o feito de seus colegas. “O cinema latino tem se destacado nos últimos anos. Esses dois finalistas são a prova disso, além de prêmios em diversos festivais estrangeiros importantes”, disse o cineasta ao UOL Cinema em São Paulo, onde ele participou de um debate numa escola de cinema.

Quanto aos prêmios internacionais, Biniez refere-se ao sucesso do cinema sul-americano nos dois últimos Festivais de Berlim, que consagraram o brasileiro “Tropa de Elite”, de José Padilha, em 2008, e, em 2009, “A Teta Assustada”, além de render a “Gigante” o Grande Prêmio do Júri. O filme será lançado em DVD no Brasil na primeira quinzena de março.

TRAILER DO FILME ''GIGANTE"

Apesar desse sucesso, o diretor não se mostra muito otimista com o Oscar. “É um grande feito os dois filmes estarem entre os finalistas. Mas acho que nenhum têm qualquer chance de ganhar” explica. A produção peruana e a argentina têm pela frente dois concorrentes de peso: o alemão “A Fita Branca”, de Michael Haneke (que estreia no Brasil no próximo dia 12), e o francês “Um profeta”, de Jacques Audiard, que levaram a Palma de Ouro e o Grande Prêmio do Júri, respectivamente, no Festival de Cannes no ano passado.

O cinema latino, segundo Biniez, no entanto, não pode se acomodar nessa que parece ser o começo de uma fase de ouro. “Estamos há anos-luz das produções asiáticas, por exemplo, como as chinesas e coreanas. O cinema latino trabalha apenas com dois extremos: produções caras que geram altas bilheterias e filmes de arte pequenos. Pouca gente se aventura a fazer filmes de gênero, aqueles que ficam entre essas duas pontas.. Falta ainda o cinema da América do Sul dar um salto para se consolidar”.

O diretor aponta como outro problema o pouco intercâmbio entre as produções locais. “Chegam muito poucos longas brasileiros na Argentina. E quando chegam são produções mais comerciais. Filmes de arte e mais experimentais raramente estreiam em circuito. Acredito que o mesmo acontece por aqui, onde não passam tantos filmes argentinos”. O último brasileiro que o cineasta viu foi num festival, o longa da dupla Karim Aïnouz e Marcelo Gomes “Viajo porque preciso, volto porque te amo”. “Fiquei impressionado. O filme é muito bonito”, elogia.

Atualmente, o diretor já está trabalhando num novo roteiro, mas não tem ideia de quando começará a filmar. “Estou muito no começo, nem procurei financiamento ainda”. Ele sabe que o prêmio recebido em Berlim há um ano colocou seu nome no mapa do cinema mundial mas não leva suas esperanças longe demais quanto a isso. “Pode me ajudar um pouquinho. Vai ser mais fácil conseguir dinheiro para fazer esse do que ‘Gigante’, mas mesmo assim, é bem difícil fazer cinema na América Latina. Não tenho ilusões quanto a isso”.
 

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