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02/03/2010 - 16h52

Em texto sobre curta que será exibido no Rio, cineasta iraniano antecipa perseguição

Da Redação
  • O cineasta iraniano Jafar Panahi, que foi preso em sua residência nesta segunda-feira, em foto tirada no Festival de Toronto de 2006

    O cineasta iraniano Jafar Panahi, que foi preso em sua residência nesta segunda-feira, em foto tirada no Festival de Toronto de 2006

O cineasta iraniano Jafar Panahi - vencedor de vários prêmios internacionais, entre os quais o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2000 pelo filme "O Círculo" e o Urso de Prata na Berlinale de 2006 por "Offside" - foi preso nesta segunda por forças de segurança em sua residência, junto com sua mulher, filha e quinze convidados, entre artistas, atores e diretores. Uma busca foi feita em sua casa e o seu computador pessoal confiscado.

Jafar Panahi é um dos quinze cineasta independentes convidados a fazer um curta-metragem sobre tolerância e diálogo intercultural para o longa "Then and Now: Beyond Borders and Differences", produzido durante 2010 pela organização não governamental Art For The World. Uma seleção de cinco dos curtas, incluindo o de Panahi, deve ser exibida durante o 3o. Fórum da Aliança das Civilizações, no Rio de Janeiro, de 27 a 29 de maio.

Para este filme, junto com sua sinopse do filme "Accordion", Jafar Panahi divulgou, em janeiro de 2010, a seguinte mensagem:

"Eu sou um cineasta de orientação social e sensível aos fenômenos que ocorrem na minha sociedade e que evidentemente reage a isso. Talvez [o filme] seja minha reação aos eventos à minha volta e que eu observava. Obviamente, religião tem forte relação com as raízes do problema. A religião está no poder de administração do país e o julgamento de uma avaliação de ideias torna-se "certo" ou "errado", bom ou mau. Então, quem quer que se feche na religião ou finge que a religião tem o direito de policiar os outros ou demolir os direitos das outras pessoas.

"Accordion" é a história das necessidades materiais de um ser humano para sobreviver em uma suposta religião. alguém impede um músico de tocar por causa da proibição religiosa, enquanto ele, é forçado a fazer o mesmo para sobreviver. Mas o personagem principal do filme é a criança ou talvez na minha visão ele seja o símbolo da nova geração, no seu mundo ideal ele percebe a necessidade do humano para sobreviver e então decide evitar a violência e compartilhar a sua pequena renda com outro necessitado. No entanto, ele pode ser muito mais pobre. Essa piedade é o que a sociedade em que eu vivo precisa. A sociedade clama por evitar a violência, mas as autoridades estão dirigindo todas os caminhos para a violência.

A mídia não diz nada, a não ser palavras assustadoras e ameaçadoras. É por isso que o personagem principal do filme se torna uma figura idealista em uma sociedade onde a violência é imposta".

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