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15/04/2010 - 17h58

Filme faz homenagem a Rita Cadillac, mas evita explicar o fenômeno

MAURÍCIO STYCER
Crítico do UOL
  • Rita Cadillac na cena de abertura do documentário Rita Cadillac - A Lady do Povo

    Rita Cadillac na cena de abertura do documentário "Rita Cadillac - A Lady do Povo"

São quatro as principais realizações de Rita Cadillac, a saber: 1 - Com o molejo e o pára-choque traseiro, conquistou lugar de honra no palco do Chacrinha e no imaginário do brasileiro. 2 - Com a coragem, tornou-se a rainha dos presidiários, oferecendo seu maior talento para a contemplação de homens desesperados. 3 - Com a cara-de-pau, estrelou filmes pornôs já passada dos 50 anos. 4 - E com a verve, inscreveu seu nome em qualquer antologia decente de frases: “Quando morrer, quero ser enterrada de bruços”.

Sendo esses quatro fatos do conhecimento geral, o que motivaria alguém a fazer um documentário sobre Rita Cadillac? Há três possibilidades: revelar que há muito mais histórias a contar sobre esta figura; mostrar que existe uma outra pessoa por trás da personagem; explicar as razões do sucesso do fenômeno.

ASSISTA AO TRAILER DE "RITA CADILLAC - A LADY DO POVO"

A julgar pelo filme de Toni Venturi, há, sim, algumas novidades ou fatos menos conhecidos da trajetória de Rita Cadillac – o mais surpreendente é saber que, antes de começar a carreira artística, prostituiu-se para sobreviver. Também descobrimos em “Rita Cadillac – A Lady do Povo” que existe uma dona de casa convencional, mãe de um filho, por trás da dançarina insinuante.

O mais importante, porém, Venturi fica devendo. O documentário se esforça pouco no sentido de encontrar respostas para algo que intriga o espectador sem parar: o que explica o sucesso de Rita Cadillac? O cineasta Djalma Limongi Batista, que a escalou em “Asa Branca”, arrisca uma ideia: “Rita é a lady do povo”, a dama ao alcance, ao menos do olhar, do homem comum. Hector Babenco, que a colocou em “Carandiru”, tem outra ideia: com seu número infantil, Rita apela aos instintos mais básicos do homem.

São argumentos interessantes, mas insuficientes para compreender a personagem. O diretor do premiado “Cabra-Cega” faz uma grande homenagem em “Rita Cadillac”, mas parece ter se deixado levar pelo prazer da contemplação.

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