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26/04/2010 - 23h43

No novo "A Hora do Pesadelo", Freddy Krueger troca sangue por tortura psicológica

CLAUDIO PRANDONI*
Enviado especial a Los Angeles
  • Jackie Earle Haley é Freddy Krueger na refilmagem de A Hora do Pesadelo, de 1984

    Jackie Earle Haley é Freddy Krueger na refilmagem de "A Hora do Pesadelo", de 1984

"Horror não vem do sangue que aparece na tela, mas do quanto você se importa com os personagens", explica o diretor Samuel Bayer, em entrevista ao UOL Cinema, a propósito do novo "A Hora do Pesadelo", refilmagem do clássico do terror criado e dirigido por Wes Craven em 1984. "Aquilo que você não vê dá mais medo."

A história é a mesma: um grupo de adolescentes é aterrorizado por Freddy  Krueger, um sujeito com rosto deformado e uma luva com lâminas que ataca as vítimas nos sonhos delas. Contudo, a realização é bem diferente. Sai de cena a violência exagerada, quase cômica de tão escatológica, e entra uma tentativa de terror mais sombrio e maduro. "Menos sangrento e mais psicológico", define Thomas Dekker, que interpreta Jesse, papel vivido no original por um ainda jovem Johnny Depp.

ASSISTA AO TRECHO 1 DO FILME "A HORA DO PESADELO"

"Tenho muito orgulho do resultado", conta Bayer. "É uma abordagem mais sinistra, bem contemporânea, e cumpre bem a função de dar novo início à série, mas respeitando a lenda que é Freddy Krueger".

O ator Jackie Earle Haley, que interpreta o assassino deformado, concorda. "Acho que Sam homenageou bem a obra original e também deu uma nova visão sobre a história", revela Jackie. "Gosto especialmente de uma cena na farmácia. Há ali novos conceitos para a série que funcionam muito bem".

ASSISTA AO TRECHO 2 DO FILME "A HORA DO PESADELO"

Para Rooney Mara, que assume o papel da mocinha Nancy, o tom sombrio do filme vai ajudar a agradar um novo público, que não conhece o legado de Freddy Krueger, mas também vai deixar fãs veteranos felizes por prestar homenagens a momentos muito famosos.

De fato, o filme consegue equilibrar nostalgia com novidades, mas isso tem um custo para a originalidade. Boa parte desse terror mais sugerido do que explícito vem convenções estabelecidas por filmes mais recentes - em especial terror japonês. Movimentos desconjuntados, assombrações na forma de crianças e até o uso de tecnologia moderna (como vídeos na internet feitos por usuários) são apenas alguns dos artifícios. Como isso tudo substitui o banho de sangue, que era padrão nos filmes anteriores, é provável que os mais puristas estranhem.

De qualquer forma, o novo "A Hora do Pesadelo" persegue originalidade. Segundo Samuel Bayer, a surpresa agradou Wes Craven e Robert Englund, ator que viveu Freddy na série original, que só falaram coisas boas sobre o longa. O julgamento do público acontece no dia 7 de maio, quando o filme está previsto para estrear no Brasil.

*O jornalista viajou a convite da Warner Bros

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