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09/05/2010 - 07h00

Filmes espíritas podem recuperar público no cinema, diz diretor de "As Mães de Chico Xavier"

ALYSSON OLIVEIRA
Especial para o UOL, do Cineweb
  • A atriz Vanessa Gerbelli é vista nas filmagens de ''As Mães de Chico Xavier''

    A atriz Vanessa Gerbelli é vista nas filmagens de ''As Mães de Chico Xavier''

Em breve, a figura mais rentável do cinema brasileiro atual estará novamente nas telas. Depois do sucesso de “Chico Xavier”, que em três semanas de exibição já vendeu mais de 3 milhões de ingressos, o médium será revisitado no longa “As Mães de Chico Xavier”, que está em fase de filmagem no Ceará, com a direção de Glauber Filho e Halder Gomes.

No centro da história, no entanto, não está Chico, mas três personagens femininas. “O que liga o drama dessas mulheres é a figura do médium”, explicou o codiretor Glauber Filho, numa entrevista ao UOL Cinema. Uma delas é Ruth (Via Negromonte), cujo filho tem problemas com drogas, o que abala toda a família. A outra é Elisa (Vanessa Gerbelli), que tenta compensar a ausência do pai junto ao filho, cuidando dele excessivamente. E, por fim, Lara (Tainá Muller, de “Cão sem Dono”), que enfrenta uma gravidez indesejada.

Segundo Glauber Filho, que assina o roteiro com Emmanuel Nogueira, o longa foi inspirado no livro “Por trás do Véu de Isis”, do jornalista Marcel Souto Maior, também autor de “As Vidas de Chico Xavier”, que serviu de base para o longa de Daniel Filho. “Não é uma adaptação da obra original, foi apenas um ponto de partida. Fizemos pesquisas sobre pessoas que receberam cartas psicografadas, e, a partir daí, criamos três histórias ficcionais, mas que poderiam ser verídicas”, conta o codiretor e corroteirista. O que amarra essas histórias é a presença de um jornalista, que tem a missão de alavancar a audiência de um programa de televisão usando a figura do médium.

  • Divulgação

    Vanessa Gerbelli, Gabriel Pontes e Neusa Borges gravam o filme

Inicialmente, o longa seria dirigido por três profissionais diferentes. Cada um trabalharia uma história e daria uma identidade visual para cada segmento. No entanto, o terceiro diretor, Gerson Sanginitto, não pôde participar das filmagens e o trabalho teve de ser divido entre os outros dois. “Geralmente, eu cuido da câmera, dos planos, e o Glauber trabalha mais com os atores”, explica Halder Gomes, que também assina uma primeira montagem do filme, que deverá ficar pronta no final de junho.

Segundo Glauber Filho, mais de 60% das filmagens estão concluídas e alguns distribuidores já mostram interesse pelo filme. O diretor tem, aliás, experiência com filmes de temática espírita. Há dois anos, ele lançou “Bezerra de Menezes: O Diário de um espírito”, que codirigiu com Joel Pimentel, e vendeu quase 500 mil ingressos – uma bilheteria bastante expressiva para os padrões brasileiros.

Filho acredita que o interesse do público brasileiro por filmes espíritas vai além da religião. “Creio que haja uma abordagem cultural mesmo. As pessoas querem ver esses filmes não apenas pelo aspecto religioso. O mundo, atualmente, está mais espiritualizado. Questões envolvendo mitologias, seres de outro mundo, sempre foram uma procura do ser humano”.

Para o codiretor, o cinema brasileiro parece, finalmente, estar se dando conta das possibilidades de novas temáticas e como isso pode atrair o público. “Estamos encontrando uma diversidade de temas, e isso graças à coragem que alguns têm para experimentar”, comenta Filho. Ele também aponta que filmes como “Chico Xavier” podem recuperar uma parcela de público que há anos abandonou os filmes nacionais. “Estamos com a chance de resgatar uma plateia que foi perdida. Pessoas que vão ver o filme pela temática e depois acabam pegando gosto pelas produções nacionais”.

Apesar de estar rodando o filme no Ceará, Filho esclarece que as histórias se passam em cidades de Minas Gerais, “mas que poderiam acontecer em qualquer lugar do mundo”. Além disso, o filme deverá intercalar a ficção com depoimentos reais de pessoas que receberam cartas por meio de Chico Xavier. “Foram histórias que nos chamaram a atenção e entram no filme como a pesquisa de nosso personagem, o repórter”.

Nelson Xavier, novamente, assume o papel do médium. Mas, conforme ele mesmo disse na época do lançamento de “Chico Xavier”, só aceitou porque não seria o protagonista do filme, mas um personagem secundário. “Sempre quisemos deixar bem claro que nosso filme não é uma continuação do filme do Daniel Filho, mas uma outra abordagem sobre um universo parecido”.

Depois de concluir as filmagens em Fortaleza, a equipe se desloca para Pacatuba (CE), onde foi construída uma réplica da Casa da Prece, o centro espírita onde Chico Xavier trabalhou em Uberaba. As filmagens devem ser concluídas em Pedro Leopoldo, cidade natal do médium. 

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