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08/07/2010 - 07h02

Documentário para cinema e TV traz imagens inéditas do Estado Novo

LUIZ VITA
Especial para o UOL, do Cineweb
  • Getúlio Vargas posa ao lado de busto

    Getúlio Vargas posa ao lado de busto

O diretor Eduardo Escorel reuniu, nos últimos 20 anos, um rico material histórico que ajuda a entender o Brasil atual. Garimpados em arquivos no Brasil, Estados Unidos e Europa, imagens e documentos dão corpo a cinco documentários feitos para a TV, que vão de 1930 a 1945 e tem em Getúlio Vargas um dos personagens mais importantes desse período.

“1930, Tempo de Revolução”, “32, A Guerra Civil” e “35, O Assalto ao Poder” (em duas partes) já estão disponíveis em DVD. O mais recente, “1937 - 1945, Imagens do Estado Novo”, está em processo de finalização e pode ser lançado no início de 2011. Uma versão para o cinema não está descartada, mas é de difícil realização. “Fizemos uma primeira cópia com 100 minutos de duração, de um total de 260 minutos de material, mas não fiquei satisfeito com o resultado”, afirmou o diretor em entrevista ao UOL Cinema.

Mesmo que não ganhe uma versão para a tela grande, devido a seu valor histórico o material poderá ser dividido em dois filmes para exibição em festivais e escolas. “Eu me orgulho muito desse trabalho, da maior importância na reconstrução de um período que as pessoas conhecem mal”, afirma Claudio Kahns, da Tatu Filmes, que produziu o filme.

“1937 - 1945 – Imagens do Estado Novo”, engloba o período mais longo pesquisado, com duração de oito anos. “As pesquisas começaram no Brasil e se estenderam para a Europa e Estados Unidos. Pesquisamos muito material e reunimos imagens pouco conhecidas, se não forem totalmente inéditas”, revela Eduardo Escorel.

Simpatizantes do nazismo

O diretor chama a atenção para a presença de simpatizantes do nazismo no Brasil antes de 1937, no Rio de Janeiro e em Blumenau. Eles são identificados em filmes que mostram desfiles em que se viam bandeiras com a suástica nazista nas ruas e em casas. Também foram obtidas imagens de arquivos familiares que revelam o cotidiano dessa época efervescente da história brasileira, marcada pela ditadura getulista.

Escorel acredita que o período pesquisado ajuda a compreender, em parte, o Brasil atual. “Para se entender o que aconteceu em 1964, é preciso voltar ao Estado Novo. Ali se consolida a presença das Forças Armadas na vida política brasileira. A figura de Getúlio Vargas tem certos traços que perduraram pelas décadas seguintes”. No entanto, o diretor faz uma ressalva: “O Brasil mudou muito, deixou de ser dirigido como uma fazenda”.

A documentação brasileira pesquisada engloba os diários escritos pelo próprio Vargas e as cartas que recebia de populares e fazia questão de responder, preservadas no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. “Essa correspondência é um acervo interessantíssimo do período. Getúlio inaugurou esse hábito de as pessoas escreverem para o presidente, criando um canal direto de comunicação com o povo”.

Escorel diz que não encontrou grandes dificuldades em levantar material nas instituições brasileiras e internacionais. “A internet facilitou bastante o acesso a vários acervos. Há uma organização muito grande nos Estados Unidos, mas na Europa o trabalho de indexação ainda é mais artesanal. O trabalho final é caro, pois a aquisição dessas imagens tem um custo bastante elevado”.

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