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30/07/2010 - 07h00

Angelina Jolie diz que "Salt" a ajudou a se empolgar e voltar à ativa

THAÍS FONSECA
Enviada especial a Cancún, México*
  • Cena do filme Salt, estrelado por Angelina Jolie

    Cena do filme "Salt", estrelado por Angelina Jolie

Ao assistir “Salt” e outros trabalhos de Angelina Jolie, fica difícil imaginá-la no papel de mãe, em casa, rodeada dos filhos e do marido. Ao ouvi-la em Cancún, durante apresentação do filme, na qual faz o papel da enigmática Evelyn Salt, essa primeira impressão se dissipou facilmente. “Tinha acabado de dar a luz à Vivi e Knox, estava sentada de camisola na cama, me sentindo muito garotinha, muito mole, e pensei: ‘acho que encontrei algo que vai me empolgar e fazer com que eu me sinta fisicamente ativa novamente’”.

O próximo passo foi voltar ao set do diretor Phillip Noyce, repetindo a parceria inaugurada há mais de dez anos em “O Colecionador de Ossos”. Além do contato com Noyce, a falta de medo da atriz facilitou a passagem da mãe de família à heroína capaz de lutar com um bando de caras, dirigir em alta velocidade e se jogar de cima de uma ponte. “Adoro pular sobre as coisas”, afirma.

Em Cancún, Angelina falou à imprensa internacional em dois momentos: numa coletiva mais abrangente e num grupo mais restrito, ambos acompanhados por UOL Cinema. A seguir, veja os melhores trechos, que incluem ainda Cleópatra, sua próxima personagem no cinema, seus medos e a visão de seus filhos sobre as habilidades extraordinárias de Salt. “Quando são os seus filhos eles só pensam ‘ela é a mamãe, como pode ser ‘cool’?”, brinca.

 

UOL CINEMA - Como foi compor a personagem de “Salt”?
ANGELINA JOLIE -
Nós trabalhamos juntos, os escritores, os atores, Phillip...eu tinha a minha visão sobre as coisas, mas não fiz nada que outras pessoas não concordassem. Tentamos formar uma equipe.

UOL CINEMA - O que Noyce te disse quando você aceitou o papel? Ele te deu algum conselho?
JOLIE - Não houve um conselho específico, mas teve apoio. Eu tinha acabado de dar a luz à Vivi e Knox e estava sentada de camisola na cama, me sentindo muito garotinha, muito mole, e pensei “acho que encontrei algo que vai me empolgar e fazer com que eu me sinta fisicamente ativa novamente...pode ser bom”. Eu não tinha trabalhado por cerca de um ano enquanto estava grávida e ele se mostrou disposto a fazer as coisas que eu estava preparada. Ele estava feliz por mim. Nós nos conhecemos fazendo este tipo de filme, então sabe que acho divertido.

  • AFP

    Angelina Jolie aparece de vestido vermelho na première de ''Salt'', em Moscou (25/07/2010)

UOL CINEMA - Quanto você permitiu que Noyce exigisse de você?
JOLIE -
Ele é sempre exigente e diz “esteja pronta para sofrer” (risos). E sabe de coisas que eu gosto, como por exemplo de altura ou andar de moto. Mas ele sempre insiste que o ideal é ter tudo na primeira filmagem, então você precisa ter tudo ensaiado e afiado.

UOL CINEMA - Salt parece não sentir medo e você pessoalmente também aparenta ser uma pessoa destemida. Quanto você se permite fazer sem que o medo atrapalhe?
JOLIE -
Acho que eu deveria ter mais medo de uma certa forma, porque às vezes eu sinto tão pouco a ponto de ser estúpida, e tenho cicatrizes para provar isto. Mas eu tenho tido muita sorte na minha carreira, de interpretar em filmes em que posso me jogar. Adoro pular sobre as coisas e não sinto medo em fazer este tipo de coisa. Eu, como muitas pessoas, sinto mais medo de algo acontecer com pessoas que eu amo, o que é um medo bom. E isto é a única coisa que me mantém acordada até tarde da noite. Mas para coisas que dizem respeito a minha segurança pessoal, não costumo ser muito esperta.

UOL CINEMA - Você teve uma aranha como companheira de elenco (Evelyn tem um marido biólogo, que as mantém em casa). Como lidou com ela?
JOLIE -
Eu gosto de aranhas e insetos, então não me importo. Eu até comi alguns deles nos meus dias em Camboja. Mas não comi a aranha do filme (risos).

TRAILER DE "SALT"

UOL CINEMA - Você se preocupa em explicar aos seus filhos que o que você faz em filmes de ação não é para ser imitado em casa?
JOLIE -
É engraçado, quem está de fora pode achar isto, mas quando são os seus filhos eles só pensam “ela é a mamãe, como pode ser ‘cool’?” (risos). Quando eles estão no set vêem os equipamentos e sabem como as coisas são nos bastidores. Eles sabem que não é bem como parece.

UOL CINEMA - Você já fez filmes mais voltados ao entretenimento como “Sr. e Sra. Smith” e “Lara Croft: Tomb Raider” e outros mais densos como “Gia”. Como você escolhe os roteiros que pretende fazer?
JOLIE -
Me sinto honrada por fazer os dois tipos, então tento equilibrar os dois. Geralmente, quando faço um grande filme de ação, tento fazer depois algo que exija mais de mim como atriz, emocionalmente, e depois volto para o outro tipo. Tento ir e voltar e acho que isso me ajuda a achar um equilíbrio.

UOL CINEMA - Que papel você gostaria de fazer?
JOLIE -
Foi divulgado na imprensa. É Cleópatra. Ela foi incompreendida ao longo dos anos. Quando a ideia surgiu eu a imaginava como uma pessoa que bolava vários planos, mas quando eu li sobre ela percebi que era uma mulher forte, falava várias línguas, era uma líder, uma intelectual e era realmente bonita. Tudo isto é muito mais interessante sobre ela.

UOL CINEMA - Você fará algo diferente da Cleópatra de Elizabeth Taylor?
JOLIE -
Eu jamais poderia ser tão amável quanto Elizabeth. Mas estou tentando pegar uma nova abordagem sobre ela, mostrar uma líder na História e não um símbolo sexual. Por que ela realmente não era isso. Dizem que ela teve vários amantes e é possível que ela tenha tido apenas dois. Ela parece muito interessante.

UOL CINEMA - Houve rumores de que você poderia dar um tempo na carreira. É verdade?
JOLIE -
Bom, não estou mais nos meus 20 anos. Em certo ponto eu vou querer fazer outras coisas na minha vida. Mas adoro isto [atuar], então, não vou desistir, só acho que farei menos nos próximos anos.

UOL CINEMA - Mas você tentará equilibrar o trabalho com as outras coisas?
JOLIE -
Acho que sim, eu não sei. Talvez não seja uma prioridade em algum momento da minha vida. Quem tem filho entende. É bom ter uma desculpa para sair da cama e voltar à ação e não se sentir tão mole. Foi ótimo. Mas houve um momento em que pensei: “Sou mãe de alguém, não pertenço a este lugar". Pensava: “Há duas semanas eu estava em casa alimentando os bebês. Eles pegaram a pessoa errada” (risos).

 * (A repórter viajou para o México a convite da Sony Pictures)

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