02/05/2011 - 13h29

"É um misto de euforia com pânico", diz Camila Pitanga sobre sua personagem no novo filme de Beto Brant

THIAGO STIVALETTI
Colaboração para o UOL, de Recife
  • Antônio Pitanga entrega Troféu Calunga de Ouro à Camila Pitanga

    Antônio Pitanga entrega Troféu Calunga de Ouro à Camila Pitanga

Filha de ator, ela começou a atuar no cinema aos 16 anos. Hoje, já tem 10 filmes no currículo em 17 anos de carreira. Por esse trabalho, Camila Pitanga recebeu neste domingo uma linda homenagem no Cine PE, o Festival do Recife.

Estrela da TV, Camila teve em "Caramuru', "Saneamento Básico" e "Noel - Poeta da Vila" seus maiores papéis no cinema. E agora é só expectativa com seu novo papel, o da irascível Lavínia, uma mulher com distúrbios de personalidade que vive próximo a um garimpo no Pará, no filme "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios", de Beto Brant ("O Invasor"), que estreia no segundo semestre.

A atriz filmou em Santarém e na região de Arapiuns, no Pará. "A Lavínia é um misto de euforia e pânico. São várias personagens numa só, e que num dado momento vai pro abismo das drogas", diz, empolgada. Para se preparar, viu grandes filmes com mulheres "turbulentas", como "Ondas do Destino", de Lars Von Trier, e "Uma Mulher sob Influência", de John Cassavettes.

Mocinha com ironia

Seu sonho agora é trabalhar com Luiz Fernando Carvalho, diretor de "Lavoura Arcaica" ("os trabalhos dele em TV têm sempre uma pegada de cinema e teatro") e com Breno Silveira, diretor de "2 Filhos de Francisco" ("ele conta histórias com o coração. É afetuoso, mas também se preocupa com a linguagem do filme").

Na TV, ela faz sucesso como a doce Carol em "Insensato Coração". Carol, que acabou de ter uma filha de André (Lázaro Ramos), agora viverá um romance com Raul (Antônio Fagundes). "O bom da Carol é ser uma personagem do bem, mas sem ser exatamente uma mocinha. Ela tem angústia e ironia ao mesmo tempo, é um personagem bem típico do Gilberto Braga", diz.

Mãe sem culpa

Realizada com a profissão, Camila frisa o tempo todo que cinema, TV e teatro têm pra ela o mesmo peso. "Um bom trabalho depende mais das pessoas com quem você está trabalhando do que da linguagem. Já fui feliz e infeliz no teatro, feliz e infeliz na TV."

Casada há 10 anos com o diretor de arte Cláudio Amaral Peixoto, Camila teve há três anos sua primeira filha, Antônia - o nome foi em homenagem ao pai, o ator Antônio Pitanga. "Quero ter mais um filho, mas não agora. Estou num momento ótimo da carreira, não quero fazer nada às pressas. Existe uma pressão de que, para ser atriz e mãe ao mesmo tempo, você tem que sentir culpada, mas acho que não precisa ser assim".