16/05/2011 - 07h00

Para Johnny Depp, Jack Sparrow é "uma dessas ofertas irrecusáveis do destino"

ANA MARIA BAHIANA
Especial para o UOL, de Los Angeles
  • Jack Sparrow (Johnny Depp) em cena do filme ''Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas''

    Jack Sparrow (Johnny Depp) em cena do filme ''Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas''

Vários personagens sumiram. O Capitão Barbossa perdeu uma perna. Jack Sparrow ganhou um novo figurino, mais babilaques pendurados e uma cicatriz em X no rosto e foi parar em Londres, sem vintém e sem navio.

Nada disso é muito explicado , mas tudo é muito divertido em "Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas", quarto filme da franquia inspirada por uma das atrações mais populares dos parques da Disney, e primeira dirigida por Rob Marshall ("Chicago", "Memórias de uma Gueixa", "Nine").

"Não posso falar por todos os diretores, mas a maioria dos que eu conheço tem esse segredo: todos nós secretamente queremos fazer um grande filme de ação e aventura", diz Marshall. "É uma forma maravilhosa de exercitar outros músculos criativos, evitar que a gente fique repetindo as mesmas coisas".

TRAILER DO FILME ''PIRATAS DO CARIBE 4''

Embora Marshall seja o capitão deste navio, a grande força propulsora da empreiata é Johnny Depp, que deu o formato definitivo ao personagem Jack Sparrow e se tornou a grande estrela da franquia.

"Da primeira vez que li o roteiro do primeiro 'Piratas', Jack Sparrow não estava todo, completo, na página", Depp admite. "Havia elementos, sinais do que ele poderia ser. Eu achei que ali havia o bastante para me inspirar… e eu percebi que ali estava uma dessas ofertas irrecusáveis do destino. Do tipo 'uma oportunidade em um milhão'".

Mas, Depp admite, o sucesso do primeiro filme teve uma consequencia complicada: "Todos nós, Gore (Verbinski, diretor dos primeiros três), Terry e Ted (os roteiristas da franquia, Terry Rossio e Ted Elliott) tivemos que tirar uma trilogia dali, daquele primeiro filme. Acho que a coisa foi-se complicando pelo caminho. Teve um momento no meio das filmagens do 3 que me virei pro Gore e disse: Cara, eu não estou entendendo mais nada… Então, se fôssemos atacar o projeto de um quarto Piratas, era melhor tentarmos uma nova abordagem".

A solução foi encontrada num livro de 1988, "On Stranger Tides", de Tim Powers - que os admiradores  definem como "o melhor autor de fantasia histórica que quase ninguém conhece". O livro oferecia o mesmo ambiente da franquia - piratas no Caribe dos séculos 18 e 19 e mesma generosa mistura de elementos dramáticos de todas as procedências: vudu, zumbis, a Fonte da Juventude.

Interessadas em tudo que pudesse alimentar a franquia, a Disney tinha feito uma opção pelos direitos do livro há alguns anos, logo depois do lançamento de "O Baú da Morte". Com o impasse criativo gerado pelo terceiro filme, a Disney decidiu exercer a opção e adaptar "On Stranger Tides" para o universo de Jack Sparrow, Barbossa e companhia.

Isso levou à eliminação de um bocado da carga de  personagens e tramas paralelas dos filmes anteriores e trouxe alguns novos personagens - o famoso pirata Barba Negra (Ian McShane) e uma misteriosa ex-namorada de Jack Sparrow, Angelica (Penelope Cruz), inspirada em grande parte pela protagonista do livro, Beth Hurwood.

"Eu adoro o fato de que ela também é uma pirata, que é forte, decidida e dá ordens àquele bando de homens brutos", diz Cruz, rindo. "Quando eu era criança, cada dia eu acordava decidida a ser um personagem diferente. E um deles era pirata. Eu punha um lenço na cabeça e saía me pendurando pelas coisas na casa".

Cruz descobriu que estava grávida no meio das filmagens, mas isso não diminuiu a intensidade de sua personagem. "Era engraçado até, eu vivendo uma personagem tão valente e despachada e sendo tratada com tanto carinho e delicadeza pela equipe", Penelope recorda. "Todo mundo me protegia, me tratava com extrema gentileza. E eu ali, toda vestida de pirata, com uma espada na cintura!"

"Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriorosas" teve uma premiere dia 6 de maio na Disneylandia de Anaheim, California , onde a atração original estreou em março de 1967, três meses depois da morte de Walt Disney, que havia supervisionado pessoalmente o projeto. O filme tem estréia mundial simultânea no dia 20.