20/05/2011 - 08h24

Sean Penn chega de mau humor para falar de "This Must Be The Place", filme em que interpreta um roqueiro

THIAGO STIVALETTI
Colaboração para o UOL, de Cannes
  • Sean Penn chega para uma festa em Cannes (17/5/2011)

    Sean Penn chega para uma festa em Cannes (17/5/2011)

Sean Penn chegou mais uma vez de mau humor a Cannes para falar de seu novo filme, “This Must Be The Place”. Com a cara fechada, mostrou imensa má vontade para responder as perguntas da imprensa.

Apesar de sua postura, ele já pode ter grandes esperanças de levar uma Palma de melhor ator em Cannes - e até uma nova indicação ao Oscar.  Sua atuação no novo “This Must Be The Place” encantou o público da primeira sessão em Cannes.

Com um visual todo inspirado em Ozzy Osbourne e Robert Smith, vocalista do The Cure, de peruca enorme e batom, ele vive Cheyenne, um ex-roqueiro decadente que vive na Irlanda com a mulher (Frances McDormand, de “Fargo”).

Quando morre o pai com quem ele não falava há 30 anos, Cheyenne sai em uma grande viagem pelos Estados Unidos, buscando vingança para o pai, um judeu que sofreu os horrores da Segunda Guerra. Mas a vingança no filme é doce, poética e nada violenta - como poucas vezes se viu no cinema.

“É interessante ver como abordamos hoje a noção de vingança nos EUA. As reações emocionais que vimos agora, quando Bin Laden foi morto. Há uma ligação do filme com essa questão. O Cheyenne faz mais do que uma simples viagem”, declarou Sean Penn.

Nem Ozzy nem ninguém

Penn negou que tenha se inspirado em Ozzy Osbourne e evitou citar qualquer outro roqueiro que lhe serviu de inspiração. “O rock sempre retrata a doença da sociedade, é isso o que eu mais gosto”. O filme tem uma participação especial de David Byrne, ex-vocalista do Talking Heads.

O ator também não quis comparar Cheyenne com seu breve personagem em “A Árvore da Vida”, outro forte candidato à Palma. “Os dois são completamente diferentes, e filmei-os com anos de distância”. Mas elogiou o italiano Paolo Sorrentino, diretor do filme. “Ele tem uma visão completa do filme. É como se ele tocasse o piano e eu ficasse ali, só virando a página da partitura”.

Depois de fazer quatro filmes na Itália, Paolo Sorrentino diz que curtiu a experiência de filmar nos Estados Unidos. “Éramos crianças filmando num mundo novo”.

“This Must Be The Place” já tem estreia garantida no Brasil, mas a data ainda não foi definida.