22/05/2011 - 15h12 / Atualizada 22-05-2011

"A maioria de nós sentiu que o filme é maravilhoso", diz De Niro sobre Palma de Ouro para "Á Arvore da Vida"

THIAGO STIVALETTI
Colaboração para o UOL, de Cannes
  • Robert De Niro posa com os ganhadores Pablo Giorgelli (revelação), Bill Pohlad (melhor filme), Jean Dujardin (melhor ator) após premiação

    Robert De Niro posa com os ganhadores Pablo Giorgelli (revelação), Bill Pohlad (melhor filme), Jean Dujardin (melhor ator) após premiação

O americano "A Árvore da Vida", de Terrence Malick, venceu a Palma de Ouro em Cannes. Um fato raro aconteceu: recluso, o diretor está em Cannes, mas não apareceu na cerimônia para receber o prêmio. Brad Pitt, o ator principal, também não estava lá. Coube aos produtores receberem a Palma.

Com uma montagem sensorial, "A Árvore da Vida" faz uma reflexão sobre a vida, a morte e a ligação do homem com o Universo e a natureza a partir de uma família americana dos anos 50, na qual Brad Pitt interpreta o pai severo de três crianças. Foi uma Palma bem escolhida pelo júri presidido por Robert DeNiro, mas parte do público presente na sala de imprensa vaiou o resultado. A previsão de estreia é o dia 24 de junho no Brasil. "O filme tem o tamanho, a importância e a intensidade [para merecer a Palma]. A maioria de nós sentiu que o filme é maravilhoso", declarou um lacônico Robert De Niro, após a premiação, sobre o comportamento do júri, que incluía Jude Law e Uma Thurman.

"Malick continua notoriamente uma pessoa tímida e muito humilde", justificou o produtor Bill Polhad sobre a ausência. "Mas ele está muito honrado. Malick atravessou uma longa jornada para fazer esse filme, e esse prêmio fez tudo valer a pena". Previsto para competir em Cannes no ano passado, "A Árvore da Vida" levou mais de dois anos na montagem.

Na entrega dos prêmios, De Niro fez todo mundo rir ao falar um francês cheio de erros - ao falar de seus colegas do júri, trocou "mes compagnons" (meus companheiros) por "mes champignons".

  • Joel Ryan/AP

    Kirsten Dunst posa para fotos após ganhar prêmio de melhor atriz em Cannes

 

Persona grata

Kirsten Dunst derrubou o favoritismo de Tilda Swinton e ficou com o prêmio de melhor atriz por "Melancolia", de Lars Von Trier, mesmo prêmio de Charlotte Gainsbourg há dois anos com "Anticristo". "Que semana eu tive!", exclamou, referindo-se à polêmica em torno das declarações de Von Trier de simpatia ao nazismo em tom de ironia, e a decisão do festival de torná-lo persona non grata - Kirsten teve que responder o que pensava do episódio em todas as entrevistas. "Obrigado ao júri por ainda manter o filme em competição. E obrigado ao Lars por ter me dado toda a liberdade neste filme", disse.

O francês Jean Dujardin ficou com o prêmio de melhor ator por seu papel como um astro do cinema mudo no francês "The Artist", um encantador filme mudo e preto-e-branco.
 

  • Joel Ryan/AP

    Apesar de ter sido considerado um dos favoritos, o filme "This Must Be the Place", com Sean Penn, não levou prêmio

Mãos abanando

Alguns dos filmes preferidos da crítica, como o finlandês "Le Havre" e o italiano "This Must Be the Place", estrelado por Sean Penn, saíram sem prêmios. Após a premiação, o ator Jude Law, membro do júri, revelou que o grupo discutiu três filmes em profundidade além dos premiados: o finlandês "Le Havre", o italiano "Habemus Papam" e o australiano "Sleeping Beauty". A atriz Uma Thurman também citou "La Piel que Habito", de Pedro Almodóvar. Mas nenhum deles foi premiado.

De Niro revelou que o júri decidiu como regra não dar dois prêmios para um mesmo filme - dos 20 filmes em Competição, oito foram premiados.

  • Anne-Christine Poujoulat/AFP

    Os diretores belgas Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne posam para fotos após ganharem o grande prêmio do juri por "O Garoto de Bicicleta" (Le Gamin au vélo)

 

Os queridinhos

Dois queridinhos do Festival dividiram o Grande Prêmio do Júri, o segundo prêmio mais importante do festival. Os irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne, que já venceram duas Palmas de Ouro (por "Rosetta" e "A Criança") venceram o Grande Prêmio por "Garoto de Bicicleta", que estreia em novembro.

O turco Nuri Bilge Ceylan, que já havia ganhado o mesmo prêmio por "Uzak - Distante" (2002) e o de melhor direção por "Os 3 Macacos" (2008), desta vez ganhou pelo longo e denso "Era uma vez na Anatólia". "Esse prêmio reflete um momento maravilhoso do cinema turco", declarou.

"Drive", filme noir americano estrelado por Ryan Gosling, ficou com o prêmio de melhor direção para o dinamarquês Nicolas Winding Refn. "Obrigado ao júri pelo bom gosto", brincou.

  • Vincent Kessler/Reuters

    A diretora Maiwenn Le Besco posa para fotos após ganhar o prêmio do juri por "Polisse"


A única aberração do júri foi dar um prêmio ao policial francês "Polisse", de Maiwenn Le Besco, filme com jeitão de série de TV sobre o trabalho do Serviço de Proteção ao Menor de Paris.

Um filme argentino, "Las Acacias", ganhou o prestigioso Caméra d'Or, prêmio para um diretor-revelação em seu primeiro longa-metragem. O braslieiro "Trabalhar Cansa" concorria ao prêmio e não venceu.

Confira os vencedores:

Palma de Ouro

"A Árvore da Vida", de Terrence Malick (EUA)

Grande Prêmio do Júri

"O Garoto de Bicicleta", de Luc e Jean-Pierre Dardenne (Bélgica/França)

"Era uma vez na Anatólia", de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)

Melhor Diretor

Nicolas Winding Refn, por "Drive" (EUA)

Melhor Atriz

Kirsten Dunst, por "Melancolia", de Lars Von Trier

Melhor Ator

Jean Dujardin, por "The Artist" (França)

Melhor Roteiro

"Footnote" (Nota de rodapé), de Joseph Cedar (Israel)

Prêmio do Júri

"Polisse", de Maiwenn Le Besco (França)

Caméra d'Or (melhor primeiro longa-metragem):

"Las Acacias", de Pablo Giorgelli (Argentina)

Melhor curta-metragem:

"Cross Country", de Maryna Vodra (Ucrânia)

Menção especial:

"Maillot de Bain 46"

Prêmio Vulcain do Artista-Técnico:

José Luis Alcaine, pelo trabalho de iluminação de "A Pele Que Habito" (Espanha)

Menção especial ao mérito técnico:

Joe Bini e Paul Davies, pela montagem e o som de "We Need to Talk About Kevin" (EUA)